“Sexografias”, de Gabriela Wiener (2021)

De Gabriela Wiener já tinha lido o curioso “Retrato Huaco”, de 2021. Wiener nasceu em Lima, Peru, em 1975, mas vive em Espanha desde 2003, colaborando em diversos jornais com as suas crónicas sobre sexo.

E este livro, como o próprio nome indica, é sobre sexo, reunindo diversas crónicas que abordam assuntos tão díspares como a ejaculação feminina, as relações entre trans, entrevistas com Nacho Vidal, o actor porno com um pénis de 27 centímetros, a história da iguana com priapismo, experiências num clube de swingers e etc e tal.

Gabriela Wiener conta-nos que vive com Jaime, o seu marido e com a sua mulher, Rocío – e até nisso é provocadora.

O livro é curioso, embora, às tantas, tantas experiências sexuais acabem por enjoar um pouco e é pena que os textos não estejam datados.

De qualquer modo, é uma leitura divertida.

Monte, sim – Negro, não – Montenegro, talvez

Monte não escolhe Seguro – Negro não quer Ventura.

Monte será anti-socialismo. Negro detesta populismo.

Montenegro está à rasca!

Se aconselha voto em Ventura, que votou contra o Orçamento, estará sempre à espera de ser esfaqueado pelas costas.

Se nos diz que vai votar em Seguro, teme que lhe lixem as leis laborais e a ministra da Saúde, aquela beleza de cabelo louraço e saia-casaco vermelho.

É verdade que o Monte apoiou Marques e o Negro foi pelo Mendes.

É verdade que a derrota foi total, aviltante, humilhante.

Uma grande derrota para um pequeno candidato – piada gasta, mas verdadeira!

Derrotado o seu candidato, Montenegro pensa que não precisa de tomar partido.

Para ele, tão democrata é o socialista envergonhado das Caldas da Rainha, com o fascista encapotado do Algueirão.

Com aquele ar trocista e sardónico, Montenegro faz de conta que tem maioria absoluta e que pode governar a seu belo prazer.

Agora, do alto das sua baixeza, até decidiu pôr em tribunal o Volksvargas, acusando-o de notícias falsas.

Ó Montenegro, não sejas mesquinho – vota Seguro e volta para Espinho!

“Os Nomes de Feliza”, de Juan Gabriel Vásquez (2024)

Feliza Bursztyn (Bogotá, 1933-Paris, 1982) foi uma escultora colombiana cuja vida dava, de facto, para um romance, um filme e uma série televisiva. Morreu subitamente, com apenas 49 anos, e a história da sua vida teria ficado por contar se não fosse, Juan Gabriel Vásquez, que decidiu contá-la neste livro, juntando factos, testemunhos e um pouco de imaginação.

Feliza, cujo nome teve várias versões, escolheu ter uma vida diferente daquela que parecia estar-lhe destinada. Depois de um casamento precoce, depois de ter tido três filhas, abandonou tudo e dedicou-se totalmente à escultura, criando obras a partir de sucata.

Teve uma vida muito acidentada e repleta de tragédias, como a morte num acidente de aviação do seu segundo companheiro e, mais tarde, o seu próprio acidente, desta vez, a bordo de um Volkswagen – acidente esse que a obrigou a um flagelo de cirurgias reconstrutivas.

A sua ligação a tudo o que fosse diferente e provocador, levou-a, depois, a Cuba e a um confronto com as autoridades colombianas que acabaram por resultar no seu exílio, primeiro no México, na casa de Garcia Marquez, depois em Paris, onde acabou por falecer de ataque cardíaco, quem sabe proporcionado pelos muitos vapores da soldagem que usava para unir a sucata, a partir da qual criava as suas obras (só muito tarde começou a usar máscara).

Livro muito interessante.

Vou engolir um sapo, seguro!

No tempo do Soares versus Freitas, não engoli sapos. Votei em Soares com convicção e sem hesitação. Freitas era para quem queria boas colheitas, representava as Direitas.

Agora, a hesitação era muito maior!

Em quem votar?

Em tempo de gripe, votar no António Filipe?

Aceitar a eterna sina e votar na Catarina?

Ficar entre o branco e o tinto e votar no Jorge Pinto?

Fora de questão, e isso não é segredo, votar no Mendes ou no Cotrim Figueiredo?

De nenhum estou perto, de todos estou distante e também não voto no almirante.

Fico assim angustiado, agarrado ao presente, com medo do futuro.

Irei votar no Seguro?

Vou fazer como o Cunhal aconselhou:

Escondo-lhe a cara, tapo-lhe o nome,

Contruo ali mesmo um grande muro.

E com grande mágoa, voto no Seguro!

PS – E a minha sanidade mental assegura – nunca votaria no cabrão do Ventura!

“Porque Morremos”, de Venki Ramakrishnan (2024)

Ramakrishnan nasceu na Índia em 1952, trabalhou nos Estados Unidos e, a partir de 1999, em Inglaterra. Em 2009, foi um dos laureados com o Nobel da Química pela descoberta da estrutura do ribossoma.

Neste livro, o autor discorre sobre a nova ciência do envelhecimento. Será que podemos viver para lá dos 120 ou 150 anos? será que poderemos ser imortais? Espero bem que não, livra!

“Não obstante, quando pensamos na morte, regra geral referimo-nos à nossa: o fim da existência consciente enquanto indivíduos. Esse tipo de morte acarreta um paradoxo profundo: embora os indivíduos morram, a vida continua. Não me refiro apenas à nossa família, comunidade e sociedade continuarem sem nós. O mais notável é que cada criatura viva actualmente é descendente directa de uma célula ancestral que existiu há milçhares de milhões de anos. portanto, embora alterada e evoluída com o tempo, há uma essência em nós que tem vivido em continuamente desde há alguns milhares de milhões de anos.”

Por outras palavras: afinal, somos eternos!

A procura pela longevidade pode dar origem a cenas como a do cirurgião francês Alexis Carrel que ficou famoso por ter desenvolvido técnicas para voltar a ligar vasos sanguíneos cortados em acidentes ou em resultado de actos de violência, como esfaqueamentos. Depois de se mudar para o Estados Unidos, iniciou experiências para manter vivos tecidos humanos fora do corpo. Mas…

“em 1935 publicou um livro intitulado O Homem, Esse Desconhecido, onde recomendava a esterilização dos inaptos e a câmara de gás para criminosos e loucos, comentando a superioridade dos nórdicos em relação aos europeus do sul. No prefácio da edição alemã do livro, em 1936, Carrel elogiava o governo nazi de Adolf Hitler pelo seu novo programa de eugenia”.

O livro de Rama (agora chamo-lhe assim porque dá mais jeito…) aborda muitos temas.

“Herdamos as nossas mitocôndrias exclusivamente das nossas mães, pois o espermatozóide não contribui com mitocônxcrias para o zigoto. Devido a isso, as doenças que se devam a defeitos no genoma mitocondrial são herdados apenas da mãe.”

No que respeita à longevidade, os multimilionários têm investido muitos milhões de dólares.

“Bryan Johnson, o magnata tecnológico de meia-idade por trás da empresa Braintree Payment Solutions, gasta 2 milhões de dólares por ano, no seu regime anti-envelhecimento, o qual inclui duas dúzias de suplementos, uma dieta vegana rígida e, tal como compete a um guru da tecnologia, inúmeros dados, entre os quais mais de 33 000 imagens dos seus intestinos.”

Um livro curioso que me ajudou a não querer viver para sempre…

Boticas: o próximo alvo de Trump

Os Estados Unidos invadiram a Venezuela e prenderam o seu presidente Nicolas Maduro.

A partir de agora, segundo Trump, o petróleo da Venezuela passa a ser gerido pelas empresas norte-americanas.

O resto não interessa para nada.

A seguir, Trump já anunciou, será a Colômbia com o seu petróleo, gás natural, carvão, ouro, prata, recursos hídricos, café e cacau.

E o México, com o seu petróleo, prata, outro, cobre e chumbo.

E ainda a Gronelândia, rica em lítio, níquel, cobalto, terras raras…

Lítio?

Disseram lítio?…

Boticas que se cuide. Trump já deve ter perguntado ao seu satff onde fica aquela terreola onde há grandes reservas de lítio.

O que nos vale?

O nosso valoroso ministro dos Negócios Estrangeiros.

Será Rangel que se oporá a qualquer invasão norte-americana.

Ele já disse: levem-nos os Açores, mas deixem-nos o nosso lítio!

Please!

Um primeiro-ministro saloio

Começo por dizer que os saloios da Malveira me merecem todo o respeito.

No entanto, o termo saloio é usado na linguagem corrente como sinónimo de palerma, atrasado, deslumbrado com os ricalhaços, assim uma espécie de novo-rico que se quer armar em selecto, em frequentador dos grandes salões.

Montenegro é isso mesmo.

E esta mensagem de Natal só veio comprová-lo.

O que raio é isso de ter a mentalidade de Cristiano Ronaldo, algo que ele acha que todos nós devíamos ter?

Ser acusados de fugir ao fisco e pagar uns quantos milhões para que nos limpem o cadastro?

Ser acusados de assédio sexual e pagar para que a queixa seja retirada?

Esta é que deve ser a nossa mentalidade?

O Montenegro deve estar fascinado com a fortuna do Ronaldo e deve aprovar o facto de ele estar, agora, ao serviço dos xeiques sauditas, marcando golos extraordinários para gáudio daqueles abusadores de mulheres – e deve achar que o Ronaldo foi o maior ao visitar o fascista do Trump em plena Sala Oval, ladeado pela sua esposa, ambos em êxtase perante o líder da maior potência agressora do Mundo!

Que grande saloio que tu és, ó Montenegro!

Achas que estás credibilizado pelas duas vitórias eleitorais à tangente?

Que estás safo depois do Amadeu te ilibar?

Como é que dormes à noite?

Tão pequenino que és, pá…

O peido que a Dona Marquesa deu, não foi ela, fui eu!

Bocage continua actual.

Todos escutámos, com muita atenção, as declarações do ministro da educação, Fernando Alexandre.

Disse ele:

“Vamos ter residências renovadas que daqui a cinco anos vão estar todas degradadas… é por colocar na residência universitária estudantes dos meios mais desfavorecidos que se degradam…

A prática do Estado é não misturar e pôr nas residências universitárias os estudantes de meios socioeconómicos mais desfavorecidos.

E por isso, já agora, é que elas se degradam, por isso é que elas depois não são cuidadas”.

Resumindo: metendo os estudantes pobres, todos juntos, nas mesmas residências universitárias, os filhos da puta, estragam tudo porque estão habituados a casas degradadas, a não limpar os quartos, a cagar nas alcatifas e a partir a loiça e os vidros das janelas. O que eles mereciam era ir todos para um daqueles bairros de Loures ou do Monte de Caparica para aprenderem a passar a dar valor ao que o Estado lhes oferece, à custa dos impostos dos liberais que se fartam de trabalhar e de descontar.

Elevador social, caraças!

Claro que o ministro Fernando Alexandre não queria dizer isto, mas fugiu-lhe a boca para a verdade.

E disse mais:

“Quando metemos pessoas que são todas de rendimentos mais baixos a beneficiar de um serviço público, sabemos que o serviço se deteriora. É assim nos hospitais, nas escolas públicas, sabemos que é assim.”

Que mania que o Estado tem!

Pobres para um lado – ricos para outro e remediados, logo se vê.

Mas ele não queria dizer nada disto!

Como já dizia Bocage…

O pum que o Alexandre deu, não foi ele, foi outro qualquer…

“Histórias que as Ruas Contam”, de Rui Passos Rocha (2025)

Que grande paciência teve Rui Passos Rocha, para estudar todas – todas! – as ruas de Portugal, continental e ilhas, e engendrar este curioso livro.

Depois de estudar a base de dados dos CTT, RPR dividiu o livro em capítulos, onde elencou as ruas mais significativas: Fontes, lavadouros e flora de um país agrário; religião; sociedade; política; forças armadas.

A propósito das várias ruas, textos bem urdidos e com uma visão progressista da História.

E muitas curiosidades:

“Grândola tem um merecido Largo Zeca Afonso, muitas ruas 25 de Abril e da Liberdade, e três ruas Catarina Eufémia. Tem uma promissora Estrada da Aldeia do Futuro e, porque o passado (soviético) também pesa naquelas paragens, uma peixaria, de seu nome Gagarine, bem no centro da vila. Já a industrial Sines, a meia hora dali, tem a obrigatória rua do Operário e duas ruas da Reforma Agrária”.

Esta outra tem a ver com a minha zona:

“E Almada tem, mesmo junto ao Cais do Ginjal e ao rio Tejo, uma histórica Fonte da Pipa. Construída em 1736 no local de uma antiga nascente, a fonte abasteceu durante mais de dois séculos a população de Almada, muita da qual subia e descia diariamente as ruas da cidade para levar para casa a preciosa água.”

E mais esta:

“Com tudo isto, porém, é de estranhar que o papa (João Paulo II) apenas tenha uma pobre travessa em Fátima. Esperar-se-ia mais. Tem, ainda assim, uma rua (e, perto dela, uma estátua bem no recinto do santuário) na Cova da Iria, não longe da cafetaria com o magnífico nome de Pecado Original”