Tenho o olhar preso aos ângulos escuros da casa tento descobrir um cruzar de linhas misteriosas, e com elas quero construir um templo em forma de ilha ou de mãos disponíveis para o amor....
na verdade, estou derrubado sobre a mesa em fórmica suja duma taberna verde, não sei onde procuro as aves recolhidas na tontura da noite embriagado entrelaço os dedos possuo os insectos duros como unhas dilacerando os rostos brancos das casas abandonadas, á beira mar...
dizem que ao possuir tudo isto poderia Ter sido um homem feliz, que tem por defeito interrogar-se acerca da melancolia das mãos.... ...esta memória lamina incansável
um cigarro outro cigarro vai certamente acalmar-me ....que sei eu sobre as tempestades do sangue? E da água? no fundo, só amo o lodo escondido das ilhas...
amanheço dolorosamente, escrevo aquilo que posso estou imóvel, a luz atravessa-me como um sismo hoje, vou correr à velocidade da minha solidão
"Todos os meus livros tiveram um carácter de urgência"(...) (...)Só espero que meia dúzia de doidos me leiam agora e isso os toque".
Entrevista ao Expresso um mês antes de falecer, 1997.
Uma veZes adoro a sua escrita outras fico incomodada mas nos dias cinzentos é um conforto tê-lo perto. Devo de ser uma das doidas que o lê agora e não fica indiferente.
Ainda a beleza das palavras em Butterfly mornings no primeiro álbum [Bavarian Fruit Bread] de Hope Sandoval & the Warm Inventions( formou com Colm O'Ciosoig em 2001)
Butterfly mornings Catch me there Gonna get me there If I have to climb all the mountains on the moon I'll be in butterfly mornings Butterfly mornings And wild flower afternoons
I found you in the corner Down there sitting on the sea Gonna trace your footsteps Underneath the waves On the petals of a wild flower With the sun high at noon I want walks in butterfly mornings And wild flower afternoons