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NU SINGULAR: agosto 2011
NU SINGULAR
apenas mais uma voz entre vós, foz onde as imagens possam desatar os nós das palavras
20 agosto, 2011
12 agosto, 2011
09 agosto, 2011
"Arte persegue o Real
Nunca usa o repelente
O meu mundo ideal
É aquele que se sente."
do poema-trova "Unicórnia" do livro "A Escola do Trovão",
do meu amigo Paulo Luiz Barata, acabado de publicar no
Brasil pela editora Ibis Libris.
Para ler e reler, ler e reler, ler e tresler...
Nunca usa o repelente
O meu mundo ideal
É aquele que se sente."
do poema-trova "Unicórnia" do livro "A Escola do Trovão",
do meu amigo Paulo Luiz Barata, acabado de publicar no
Brasil pela editora Ibis Libris.
Para ler e reler, ler e reler, ler e tresler...
publicada por francisco carvalho às
23:18
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05 agosto, 2011
este Philiph Roth é impagável!
"[...] ‹‹Como está, Alex?›› Ao que eu evidentemente respondo
‹‹Bem, muito obrigado››. A tudo o que me dizem nas minhas
primeiras vinte e quatro horas de Iowa, respondo ‹‹Muito
obrigado››. Até aos objectos inanimados. Se tropeço numa
cadeira, imediatamente lhe digo ‹‹Desculpe, muito obrigado››.
Deixo cair o guardanapo ao chão, inclino-me, muito vermelho,
para o apanhar, e eis que me oiço dizer ‹‹Muito obrigado›› ao
guardanapo — ou será ao chão que me dirijo? A minha mãe
havia de se orgulhar do seu cavalheirozinho! Cortês até com a
mobília! E depois, há uma expressão em inglês, ‹‹Bom dia››, ou
pelo menos foi o que ouvi dizer; essa saudação nunca teve para
mim utilidade de maior. Porque é que havia de ter tido? Ao
pequeno-almoço, em casa, sou conhecido pelos outros
pensionistas com ‹‹Sr. Azedo›› ou ‹‹Trombudo››. Mas de
repente, aqui no Iowa, imitando os habitantes do sítio, trans-
formo-me num verdadeiro geyser de bons-dias. É a única coisa
que aquela gente sabe dizer — sentem o sol bater-lhes na cara, e
parece que se desencadeia uma espécie de reacção química: Bom
dia! Bom dia! Bom dia!, entoado sobre uma meia dúzia de
melodias diferentes! Depois desatam todos a perguntar uns aos
outros se ‹‹dormiram bem››. E a perguntar-me a mim! Será que
dormi bem? Nem sei ao certo, deixe-me lá pensar — a pergunta
para mim é uma surpresa. Dormi bem? Dormi, sim! Acho que
sim! Eh — e o senhor?›› ‹‹Como uma pedra››, responde Mr.
Campbell. E pela primeira vez na vida sinto em toda a sua pleni-
tude a força de uma imagem. Este homem, que é promotor imo-
biliário e vereador da Câmara de Davenport, diz que dormiu como
uma pedra, e eu vejo realmente uma pedra. Percebo logo! Imóvel,
pesado, como uma pedra! ‹‹Bom dia››, diz ele, e ocorre-me então
que a palavra ‹‹dia››, no sentido em que ele a emprega, se refere
especificamente às horas entre as oito da manhã e o meio-dia.
Nunca tinha pensado nisso antes. Ele quer que as horas entre as
oito e o meio-dia sejam boas, isto é, agradáveis, divertidas, pro-
veitosas! Estamos todos a desejar-nos uns aos outros quatro horas
de prazer e trabalho frutuoso. Caramba, é estupendo! Hem, que
coisa mais simpática! Bom dia! E o mesmo se aplica a ‹‹Boa
tarde››! e ‹‹Boa noite››! Meu deus! A língua inglesa é uma forma
de comunicação! O acto de conversar não é apenas um fogo
cruzado em que se dispara e se é atingido! Em que se tem de
baixar a cabeça para sobreviver e atirar a matar! As palavras não
são apenas bombas e balas — não, são pequenos presentes, con-
tendo um sentido! [...]"
em "O Complexo de Portnoy" de Philip Roth
‹‹Bem, muito obrigado››. A tudo o que me dizem nas minhas
primeiras vinte e quatro horas de Iowa, respondo ‹‹Muito
obrigado››. Até aos objectos inanimados. Se tropeço numa
cadeira, imediatamente lhe digo ‹‹Desculpe, muito obrigado››.
Deixo cair o guardanapo ao chão, inclino-me, muito vermelho,
para o apanhar, e eis que me oiço dizer ‹‹Muito obrigado›› ao
guardanapo — ou será ao chão que me dirijo? A minha mãe
havia de se orgulhar do seu cavalheirozinho! Cortês até com a
mobília! E depois, há uma expressão em inglês, ‹‹Bom dia››, ou
pelo menos foi o que ouvi dizer; essa saudação nunca teve para
mim utilidade de maior. Porque é que havia de ter tido? Ao
pequeno-almoço, em casa, sou conhecido pelos outros
pensionistas com ‹‹Sr. Azedo›› ou ‹‹Trombudo››. Mas de
repente, aqui no Iowa, imitando os habitantes do sítio, trans-
formo-me num verdadeiro geyser de bons-dias. É a única coisa
que aquela gente sabe dizer — sentem o sol bater-lhes na cara, e
parece que se desencadeia uma espécie de reacção química: Bom
dia! Bom dia! Bom dia!, entoado sobre uma meia dúzia de
melodias diferentes! Depois desatam todos a perguntar uns aos
outros se ‹‹dormiram bem››. E a perguntar-me a mim! Será que
dormi bem? Nem sei ao certo, deixe-me lá pensar — a pergunta
para mim é uma surpresa. Dormi bem? Dormi, sim! Acho que
sim! Eh — e o senhor?›› ‹‹Como uma pedra››, responde Mr.
Campbell. E pela primeira vez na vida sinto em toda a sua pleni-
tude a força de uma imagem. Este homem, que é promotor imo-
biliário e vereador da Câmara de Davenport, diz que dormiu como
uma pedra, e eu vejo realmente uma pedra. Percebo logo! Imóvel,
pesado, como uma pedra! ‹‹Bom dia››, diz ele, e ocorre-me então
que a palavra ‹‹dia››, no sentido em que ele a emprega, se refere
especificamente às horas entre as oito da manhã e o meio-dia.
Nunca tinha pensado nisso antes. Ele quer que as horas entre as
oito e o meio-dia sejam boas, isto é, agradáveis, divertidas, pro-
veitosas! Estamos todos a desejar-nos uns aos outros quatro horas
de prazer e trabalho frutuoso. Caramba, é estupendo! Hem, que
coisa mais simpática! Bom dia! E o mesmo se aplica a ‹‹Boa
tarde››! e ‹‹Boa noite››! Meu deus! A língua inglesa é uma forma
de comunicação! O acto de conversar não é apenas um fogo
cruzado em que se dispara e se é atingido! Em que se tem de
baixar a cabeça para sobreviver e atirar a matar! As palavras não
são apenas bombas e balas — não, são pequenos presentes, con-
tendo um sentido! [...]"
em "O Complexo de Portnoy" de Philip Roth
publicada por francisco carvalho às
01:58
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03 agosto, 2011
este verão a soprar-me baças
palavrinhas — uma aranha
fina, à escuta num canto.
palavrinhas — uma aranha
fina, à escuta num canto.
publicada por francisco carvalho às
22:57
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