O Rio de Janeiro
Continua lindo
O Rio de Janeiro
Continua sendo
O Rio de Janeiro
Fevereiro e março
Alô, alô, Realengo
Aquele Abraço!
Alô torcida do Flamengo
Aquele abraço
O trecho da música de Gilberto Gil, poderia hoje ser cantada com muita alegria se não fossem as tragédias que aconteceram no Rio de Janeiro com as enchentes e soterramentos em Nova Friburgo, Teresópolis e cidades vizinhas. Consequentemente houve o falecimento de muitos moradores dessa região.
Ao conhecer o Rio, um amigo me disse que esse Estado é a síntese do que é o Brasil: Pessoas podre de ricas e pessoas miseráveis vivendo muito próximas. Em 10 minutos você sai de um bairro nobre e chega a uma favela. Sabemos que em muitos casos a ocupação de certas localidades desse Estado se deu de forma desorganizada. Culpa de péssimos governantes que há alguns séculos tentam separar a elite da plebe expulsando os pobres da capital que se obrigam a ocupar os morros. As cidades atingidas pelas enchentes não têm a ver com esse contexto histórico, porém, estão igualmente relacionadas ao fato de o ser humano desrespeitar a natureza.
Ora, são incontáveis os exemplos pelo mundo de catástrofes naturais em que a Patcha Mama mostra a sua força e prova que não deve ser desafiada. Durante a Revolução Industrial nós homens deixamos de ter uma relação harmoniosa com a natureza e passamos a vê-la como algo a ser derrotado. Sobre isso a professora Maria Stella Brescianni afirma que nessa luta, “atribuía-se aos engenhos astuciosos fabricados pelos homens – as máquinas com seus mecanismos irresistíveis e incansáveis – essa vitória na guerra com a rude natureza”. As máquinas nesse caso, eram o símbolo da vitória dos homens nesse embate. De lá para cá começamos a ver quem manda.
Uma vez o professor Nilson Fraga nos falou durante uma aula da especialização que os estudos sobre meteorologia no Brasil são muito recentes e que portanto, sabemos muito pouco sobre o que a natureza é capaz. Deveríamos ter estudado com os indígenas sobre a ocupação de determinadas regiões. Morar no morro pode deslizar, morar num vale pode alagar. É preciso bom senso das autoridades ao permitir a ocupação desses lugares, por isso é melhor prevenir do que remediar. Tenho chorado todos os dias ao ver as notícias de um verão terrível para as famílias afetadas pela maior catástrofe natural da história de nosso país.
Embora tenha acontecido tudo isso, “o Rio de Janeiro continua Lindo!“







