[Algum dia no começo de maio de 2015]
Eu voltava do almoço, em Porto Alegre, quando parei diante de um dos portões de um enorme terreno próximo à Av. Protásio Alves, no bairro Santa Cecília (depois fiquei sabendo que pertende à rede Zaffari de supermercados e está lá esperando o momento certo para mais uma especulação imobiliária).
Entre árvores, entulhos, muitas, muitas galinhas, galos e pintinhos, uma quadra de futebol e vários brinquedos espalhados vive um garoto chamado Nicolas, segundo ele, com quatro anos e um imão gêmeo com o mesmo nome (pois é…).
Sozinho no terreno, ele se aproximou do portão e engatamos uma conversa. Ele, do lado de dentro, eu, transeunte, e eu, e nós dois debaixo de um sol escaldante. Perguntou-me, de sopetão, se eu tinha filhos, ao que respondi que não. Em poucos minutos, me atrevo e revelo minha curiosidade:
– De quem são estas galinhas, Nicolas?
– Minhas.
– Todas elas?
– Sim,
– E que você faz com elas?
– Eu como. Meu pai mata para a gente comer.
– E você não tem dó?
– O que é dó?
Arrisquei uma descrição, mas logo entendi que não se pode explicar o que não compreende ou se justifica entre duas perspectivas tão distintas.
