
Foi no sábado, dia 24 de Janeiro, o Dia Internacional da Educação. Uma efeméride que, contudo, parece ter passado quase despercebida, ao ponto de a própria comunicação social só se lembrar dela no dia seguinte.
Reflexo, em boa verdade, do papel cada vez mais secundário que a Educação vai tendo, entre nós, nas políticas globais. Vencidos os grandes desafios da alfabetização, primeiro, e da qualificação, depois, o acesso à Educação é hoje um dado adquirido para a generalidade da população. Como tende a acontecer com os bens que passam das escassez à abundância, a tendência é para a desvalorização.
A própria abordagem pública dos temas educativos é pobre e limitada. Faltam objectivos, estratégia, investimento na escola pública. Sabe-se que faltam professores mas continua-se à espera que alguém resolva o problema, que é estrutural, com um passe de mágica, qual coelho tirado de uma cartola. E promovem-se questões menores e irrelevantes, como a pretensa Educação para a Cidadania ou o registo centralizado dos sumários, como se fossem reformas de fundo do sistema educativo.
Ainda assim, apesar das dificuldades do presente e do futuro que se antevê sombrio, há uma nota de inevitável optimismo que vem ao de cima quando apreciamos o enorme esforço colectivo que foi feito na Educação, em meio século de democracia, num país que, em 1974, era o menos escolarizado da Europa Ocidental.
Pena que as reformas e contra-reformas dos últimos vinte anos tenham, em primeiro lugar, estancado a trajectória de melhoria global dos resultados dos alunos e de convergência com os melhores sistemas educativos do mundo desenvolvido para nos remeter, primeiro, para a estagnação, depois, para o declínio das aprendizagens. O plano descendente será irreversível, ou iremos a tempo de corrigir os erros e arrepiar caminho?…
Os primeiros passos consistentes começaram a ser dados após o 25 de abril. Em cinco décadas a transformação do sistema educativo sente-se nas escolas e na sociedade, com taxas de instrução mais altas.
Na década de 70, um em cada quatro portugueses era analfabeto. Atualmente os números são mais animadores, mas continuam a merecer atenção.
Por exemplo, o abandono escolar ficou perto dos 7% em 2024.
Num sistema em constante transformação, há diferentes desafios todos os anos letivos, com exceção da falta de professores, problema cuja dimensão continua desconhecida apesar da persistência dos jornalistas e diferentes partidos.









