
A ideia geral da maioria dos portugueses é associar o termo “levadas” à ilha da Madeira, onde esses canais de irrigação adquiriram notoriedade por estarem associados a trilhos pedestres de grande beleza. Existem porém em muitos outros recantos de Portugal, nomeadamente no norte do nosso país onde desempenham um papel importantíssimo no transporte de água para a agricultura.
No início de outubro permanecemos uns dias nessa região, sendo o Trilho das Levadas de Jugueiros (PR3 Felgueiras/Porto) um dos percursos que realizamos e que muito nos agradou. Apesar do outono ainda estar no início, o verde foi uma presença constante, assim como a água, elemento que corria tranquilamente nos locais próprios.
O trilho, circular e relativamente curto – possui pouco mais de oito quilómetros – desenvolve-se em zonas de terra batida, de calçada romana, tem pequenos troços em passadiço e percorre curtas distâncias de ligação em estrada alcatroada.




A água é presença quase constante, seja a que corre nas três levadas que fazem parte do trilho: Assento, Lourido e Barrias, seja a que corre nos rios Bugio e Ferro, linhas de água que cruzam e alimentam esta região.





A par da água, uma natureza bem viva e verdejante é sentida como essencial ao longo do trajecto.








Um olhar mais abrangente sobre este percurso que atravessa áreas florestais, zonas agricolas e áreas habitacionais, permitiu-nos encontrar arquitecturas mais recentes e outras que reflectem uma presença muito antiga do homem nesta região rica em recursos naturais, como é o caso de antigos moinhos de água, casas em ruínas e até de uma ponte medieval,




Com ou sem a água por companhia, o trilho possui recantos encantadores que disfrutamos com todo o tempo e atenção. Não é todos os dias que este tipo de paisagem está ao nosso dispor, sobretudo quando se vive nos arredores de uma grande cidade.




Se esta partilha em tons de verde e água é capaz de transmitir alguma frescura, ela não consegue ter cheiro. Contudo, em muitos momentos a hortelã foi uma companhia que preenchia as bermas, aromatizando o ar com a sua presença. Adoro passear pelos lugares onde ela habita e de sentir a sua generosa essência.

Creio que este conjunto de imagens consegue reflectir as características e a beleza deste trilho. Apesar do dia estar nublado e o sol apenas se dignar aparecer perto do final da caminhada, as expectativas foram totalmente cumpridas e na nossa memória ficou mais um lugar inesquecivel e a sensação de dever cumprido, uma vez que já estava em espera na nossa lista dos lugares a visitar há bastante tempo.
Concluo o post com a fotografia de um insecto, porque a vida animal sempre faz parte destes nossos passeios. Este pertence à família das vespas e tem um complicadíssimo nome em latim: Coelichneumon deliratorius. Abstraindo-nos desse detalhe é um insecto muito curioso, especialmente pelas pontuações brancas que possui nas patas e antenas.

Espero que tenham apreciado!
Desejo uma boa semana! 🤗




















