Kant define como esclarecimento o momento em que o homem sai de sua menoridade de entendimento, ou seja, quando supera a carência da orientação de terceiros e passa a ter o seu próprio raciocínio sobre as questões que o cercam.
Claro, a saída do homem de sua menoridade intelectual não é nada simples, é necessário ter coragem. Esse processo é lento e ocorre no âmbito privando, atingindo seu clímax quando há liberdade de usar o esclarecimento publicamente.
Kant disse que vivia numa era de esclarecimento embora não esclarecida. Poderíamos pensar hoje numa sociedade de menoridade culposa ou absorta na caixa do nada, no sentido de que as pessoas nem se reconhecem em tal estado, principalmente diante das redes sociais e da possibilidade de reproduzir todo e qualquer aforismo que lhes caibam.
Fazendo uma ligação com o segundo texto do livro, o autor ressalta que esse esclarecimento é o grande diferencial do homem em relação aos outros animais e a natureza, em toda sua perfeição, jamais daria um atributo desnecessário a um ser, sendo assim, a utilizamos para a construção de uma sociedade civil.
Em toda sua complexidade, o homem vive de dicotomias, dentre elas, a de viver em sociedade e ser isolado ao mesmo tempo, construímos uma sociedade antissocial. E só para não dizer que não falamos de Bauman por aqui, seguimos nessa gangorra também nos relacionamentos em que as pessoas querem se conectar, mas não muito. Somos individuais, mas fingimos querer ser plurais. Nesse eterno conflito de interesses somos incapazes de ser inteiramente sociais.
Kant era metódico em suas rotinas e apegado ao rigor em seus escritos, até mesmo o seu conceito de liberdade está sob a égide de uma força maior.







