O que é esclarecimento?, de Immanuel Kant

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Kant define como esclarecimento o momento em que o homem sai de sua menoridade de entendimento, ou seja, quando supera a carência da orientação de terceiros e passa a ter o seu próprio raciocínio sobre as questões que o cercam.

Claro, a saída do homem de sua menoridade intelectual não é nada simples, é necessário ter coragem. Esse processo é lento e ocorre no âmbito privando, atingindo seu clímax quando há liberdade de usar o esclarecimento publicamente.

Kant disse que vivia numa era de esclarecimento embora não esclarecida. Poderíamos pensar hoje numa sociedade de menoridade culposa ou absorta na caixa do nada, no sentido de que as pessoas nem se reconhecem em tal estado, principalmente diante das redes sociais e da possibilidade de reproduzir todo e qualquer aforismo que lhes caibam.

Fazendo uma ligação com o segundo texto do livro, o autor ressalta que esse esclarecimento é o grande diferencial do homem em relação aos outros animais e a natureza, em toda sua perfeição, jamais daria um atributo desnecessário a um ser, sendo assim, a utilizamos para a construção de uma sociedade civil.

Em toda sua complexidade, o homem vive de dicotomias, dentre elas, a de viver em sociedade e ser isolado ao mesmo tempo, construímos uma sociedade antissocial. E só para não dizer que não falamos de Bauman por aqui, seguimos nessa gangorra também nos relacionamentos em que as pessoas querem se conectar, mas não muito. Somos individuais, mas fingimos querer ser plurais. Nesse eterno conflito de interesses somos incapazes de ser inteiramente sociais.

Kant era metódico em suas rotinas e apegado ao rigor em seus escritos, até mesmo o seu conceito de liberdade está sob a égide de uma força maior.

O mito de Sísifo, de Albert Camus

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O mito de Sísifo vem da mitologia grega, os deuses condenaram Sísifo a rolar uma pedra montanha acima, depois a pedra rola de volta para baixo e precisa ser erguida novamente. A punição, então, é essa vida absurda fadada à inutilidade. Assim é a vida moderna, em todo seu ritual diário sem nenhum sentido. Sísifo sente-se livre por aceitar, não de forma passiva, mas consciente o fardo da sua atividade sem tentar fugir do absurdo. É preciso imaginar Sísifo feliz ao abraçar essa desesperança.

Camus usa esse mito como metáfora para o absurdo da vida diante dos anseios humanos pela lógica, ordem e respostas num mundo incapaz de atendê-los. O “silêncio irracional do mundo” é a única resposta para esse confronto do absurdo: o desejo por clareza e significado; e o esvaziamento das possíveis evidências. Seria possível viver com a consciência dessa ausência de significado?

Diante do absurdo que é viver, não raro há quem delegue o sentido da vida ao que é externo à ela, a existência do sobrenatural. Camus rejeita qualquer solução religiosa que traga respostas fáceis a tudo, pois soaria como uma crise nervosa frente a realidade.

A rotina massacrante dos nossos dias pode esconder desgostos ou esperanças. Camus traz a noção de liberdade frente a tal absurdo, como a vida em sucessão de presentes guiados por um objetivo sem excesso de futuro. É preciso ter no hoje a força consciente para enfrentar o absurdo, suprimindo a vontade da fuga (suic.).

Em louvor da sombra, de Junichiro Tanizaki

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Junichiro Tanizaki, um dos autores mais influentes na literatura japonesa, escreveu ‘Em louvor da sombra’ a partir de uma inquietação com a chegada da energia elétrica ao Japão. O autor viveu de 1886 a 1965 e presenciou as adaptações para incorporar invenções ocidentais à rotina do país.

O jogo das palavras luz e sombra se dá por meio da analogia da claridade para a modernidade de modo geral e as sombras para a tradição japonesa, que é sempre muito silenciosa, contida e cheia de misticismo.

Por exemplo, ressalto os itens de cozinha, que no ocidente é muito comum lustrar os artefatos até que reluzam cintilantes, na tradição japonesa, a laca é valorizada, bem como o lustro dos anos advindo de contínua manipulação, um marcador temporal de história e memória.”Isso não significa que todo brilho nos desgoste, mas ao superficial e faiscante preferimos o profundo e sombrio.” p.30

O autor aborda vários aspectos, como arquitetura, comida, arte, ciência, cultura, corpo e até a observação da passagem do tempo sob essa perspectiva que valoriza a sombra como uma beleza carregada de significados.

A análise do autor é bem interessante, há um tempo tenho observado algo semelhante por aqui também, como a modernidade viola continuamente os silêncios significativos e invade a introspecção e o acolhimento. O exemplo mais óbvio que posso citar aqui é o uso das redes sociais e o feed infinito, que nos impõe uma exposição vazia e nos afasta da contemplação do mundo real.

Emburrecimento programado, de John Taylor Gatto

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John Taylor Gatto escreveu Emburrecimento Programado em 1992, e sua crítica ao sistema escolar levou vários pais a tirarem seus filhos da escola e a adotarem a educação domiciliar.

A educação escolar está longe de ser perfeita, mas a educação domiciliar também não é a resposta de que precisamos; ainda mais em um cenário complexo de digitalização, no qual os próprios profissionais da área educacional encontram entraves diários para transmitir conhecimento.

O exercício do senso crítico e o estímulo ao autodidatismo são, sem dúvida, excelentes alternativas, mas acabam soando como um cenário utópico diante da nossa caminhada tecnológica.

Nesta semana, li uma matéria do Washington Post sobre a extensão do Chrome chamada “Homework Help”, que basicamente tira um print da tela e responde às questões exibidas. A digitalização nas escolas foi um processo acelerado durante a pandemia de COVID-19, uma tendência que permaneceu e prosperou ao longo dos anos. Por um lado, trata-se de algo dinâmico e estimulante, um universo de possibilidades; por outro, uma facilidade que desestimula a construção do conhecimento e do pensamento genuíno, uma verdadeira “gaiola de ouro”, com benesses que, paradoxalmente, aprisionam.

Inicialmente, inserimos a IA nas rotinas para automatizar fluxos operacionais, com o objetivo de otimizar o tempo e reduzir esforços repetitivos.

A seara do aprendizado de máquina é justamente o que o nome sugere: realizar atividades repetitivas e aliviar a sobrecarga de tarefas automatizáveis. Já as atividades de raciocínio, que requerem análise crítica, sempre dependerão do ser humano para captar nuances e interpretar contextos.

Hoje vejo jovens com dificuldade até para entender ou escrever um parágrafo sem ajuda do ChatGPT (isso ainda me assusta muito, embora se torne cada vez mais comum). Segundo Nicolelis, a Inteligência Artificial (IA) não é verdadeiramente inteligente nem artificial; a inteligência é uma característica evolutiva inerente ao ser humano. Contudo, à medida que nossos jovens perdem a capacidade de ler, escrever e interpretar o mundo, entramos em um círculo vicioso de emburrecimento programado e de dependência da IA.

O vício dos livros, de Afonso Cruz

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Poderia um vício ser uma virtude?

Ao que tudo indica, sim. Nesta obra, Afonso Cruz reúne microcontos sobre pessoas apaixonadas por livros, incluindo experiências próprias. É possível dividir os textos em dois grupos: aqueles que apresentam anedotas sobre o amor à leitura e os que refletem sobre o próprio ato de ler.

Mais do que uma virtude, o “vício” por livros chega a ser valorizado e até cobrado em nossa sociedade. É comum ouvir frases como “fulano é tão assim, não quer ler um livro”, como se o apreço pela leitura fosse algo natural e universal. No entanto, mesmo que se compreenda a técnica de ler, ninguém é obrigado a gostar. Não exigimos o mesmo entusiasmo por outras habilidades ou hobbies, e essa imposição pode, inclusive, afastar ainda mais alguém desse universo que, para muitos, é fonte de prazer.

Forçar a leitura não funciona, sempre haverá atividades mais sedutoras, especialmente porque ler requer recolhimento, silêncio e abertura para novas ideias. Como bem disse Antonio Basanta, “[…] não é a falta de tempo que impede a leitura: é a falta de desejo”.

Dominar a mecânica da leitura transforma qualquer pessoa em um leitor em potencial e até um apaixonado por livros. Mas ler bem é uma arte que transcende o texto escrito, há um processo de transformação envolvido e pode estender-se à leitura do mundo. Muitas vezes temos obras preciosas ao alcance das mãos, mas deixamos de ouvir as histórias, de conversar com pessoas mais velhas ou de reparar na beleza que nos cerca.

Este é o segundo livro do autor português que leio; o primeiro foi Vamos comprar um poeta, obra incrível e repleta de reflexões sobre sentimentos em uma sociedade excessivamente alfanumérica. Já em Vício dos livros, cheguei a cogitar abandonar a leitura durante a parte inicial, dedicada apenas às anedotas, que me pareceram superficiais. No entanto, da metade em diante, os textos sobre o ato de ler e sobre a forma como a sociedade encara essa prática salvaram minha experiência.

Favor fechar os olhos, de Byung-Chul Han

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Favor fechar os olhos, capitalismo tardio e Sandman

Na atualidade, é comum o bombardeio de informações a todo instante. A sobrecarga sensorial é tão densa que chega a ser quase palpável. O conceito da timeline infinita transpassa as telas e torna-se parte da vida real; a ausência de pausa e descanso tornou-se o padrão.

O fechar os olhos contemplativo, para a compreensão da subjetividade, perdeu-se nesse cenário caótico e, com isso, temos dificuldade de ordenar o nosso armazenamento mental; a infinidade de dados nos impede de processar o que consumimos diante do “mal infinito, ao tempo vazio e esvaziado de sentido” (p. 25).

Essa sobrecarga é típica do ‘Capitalismo Tardio’, conforme Jonathan Crary descreve, ao bombardear o homem a ponto de prejudicar seu momento de descanso, de tempo não produtivo.

A culpa e a sensação de inutilidade são punições para a falta de produção ou de consumo.
Nesse ritmo, perdemos gradativamente a capacidade de desacelerar, de descansar e até mesmo de dormir naturalmente. Nosso corpo reage dando shutdown na hora de dormir, como uma máquina que entra em pane devido a um superaquecimento no hardware. A Síndrome da Fadiga de Informação toma conta, a ponto de comprometer nosso pensamento lógico-dedutivo. O silêncio, o descanso e o sono, tão vilanizados nos tempos atuais, são essenciais na construção de um sujeito humanizado, autêntico e crítico.

Em ‘Sandman’, no território do sono é onde podemos encontrar a criatividade, o desejo, o medo e a memória, tudo o que é reprimido no mundo da vigília produtiva. O sono é, portanto, uma fuga à exaustão mental e à vigilância permanente imposta pelas redes sociais.

O livro ‘24/7’, de Jonathan Crary, a HQ ‘Sandman’, de Neil Gaiman, e ‘Favor fechar os olhos’, de Byung-Chul Han, convergem ao tratar o sono, o “tempo improdutivo”, o tempo para compreensão da subjetividade como forma de resistência à lógica da hiperatividade e da hiperprodutividade impostas pela sociedade atual.
Na atualidade, é comum o bombardeio de informações a todo instante. A sobrecarga sensorial é tão densa que chega a ser quase palpável. O conceito da timeline infinita transpassa as telas e torna-se parte da vida real; a ausência de pausa e descanso tornou-se o padrão.

O fechar os olhos contemplativo, para a compreensão da subjetividade, perdeu-se nesse cenário caótico e, com isso, temos dificuldade de ordenar o nosso armazenamento mental; a infinidade de dados nos impede de processar o que consumimos diante do “mal infinito, ao tempo vazio e esvaziado de sentido” (p. 25).

Essa sobrecarga é típica do ‘Capitalismo Tardio’, conforme Jonathan Crary descreve, ao bombardear o homem a ponto de prejudicar seu momento de descanso, de tempo não produtivo.

A culpa e a sensação de inutilidade são punições para a falta de produção ou de consumo.
Nesse ritmo, perdemos gradativamente a capacidade de desacelerar, de descansar e até mesmo de dormir naturalmente. Nosso corpo reage dando shutdown na hora de dormir, como uma máquina que entra em pane devido a um superaquecimento no hardware. A Síndrome da Fadiga de Informação toma conta, a ponto de comprometer nosso pensamento lógico-dedutivo. O silêncio, o descanso e o sono, tão vilanizados nos tempos atuais, são essenciais na construção de um sujeito humanizado, autêntico e crítico.

Em ‘Sandman’, no território do sono é onde podemos encontrar a criatividade, o desejo, o medo e a memória, tudo o que é reprimido no mundo da vigília produtiva. O sono é, portanto, uma fuga à exaustão mental e à vigilância permanente imposta pelas redes sociais.

O livro ‘24/7’, de Jonathan Crary, a HQ ‘Sandman’, de Neil Gaiman, e ‘Favor fechar os olhos’, de Byung-Chul Han, convergem ao tratar o sono, o “tempo improdutivo”, o tempo para compreensão da subjetividade como forma de resistência à lógica da hiperatividade e da hiperprodutividade impostas pela sociedade atual.

Sobre como lidar consigo mesmo | Arthur Schopenhauer

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Schopenhauer, filósofo alemão mais conhecido por sua visão pessimista sobre a vida, aborda em ‘Cobre como lidar consigo mesmo’ boas práticas para quem é adepto à solidão.

É válido ressaltar que solidão é diferente de ser solitário. A solidão é a condição das pessoas que muitas vezes não se encaixa no status quo social tendo em vista que para manter-se em atividades relacionais, é necessário aguentar paciente pessoas de moralidade duvidosa e de intelecto obtuso.

Para quem aprecia o desenvolvimento intelectual, de certa forma enxerga a solidão como uma verdadeira benesse, uma vez que pode se aprofundar cada vez mais em suas preferências e não precisa interagir com o outro.

Bastar-se no estado de solidão não é assim tão simples, pois, como diria Elis Regina, ‘Há perigo na esquina’. Precisamos estar atentos a nossa saúde física, evitar sofrer por antecipação ou pelos males dos dias, é necessário também encontrar a sua atividade de desenvolvimento intelectual, seja ela leitura, música, artes plásticas, artesanato, dentre outros.

Nesse ponto lembrei da dica apresentada no livro ‘Minimalismo Digital’, de Cal Newport, uma vez que vivemos num contexto completamente diferente de Schopenhauer. Hoje, um dos principais perigos para os adeptos da solidão é a passividade das redes sociais. A incitação constante para desejar coisas, para acompanhar a vida fantasiosa das outras pessoas e até mesmo a impossibilidade do desenvolvimento intelectual tendo em vista que perde-se um tempo precioso em coisas vazias.

Ao final das contas, para lidar consigo mesmo é necessário cuidar de si, conhecer o que engrandece sua alma e investir seu tempo livre nisso, fuja do tédio e da ansiedade. Resumindo assim, até parece Sêneca ou Epiteto falando, quem diria que o pessimista iria ao encontro dos Estoicistas.

Faça o trabalho que precisa ser feito | Harvard Business


Esse texto foi publicado originalmente no GoodReads

Faça O Trabalho Que Precisa Ser Feito by Harvard Business

My rating: 4 of 5 stars


Esse livro é um compilado de artigos que saíram na Harvard Business Review. De maneira geral, o autor traz algumas experiências que deram certo para pessoas do meio corporativo.

Algumas dicas são excelentes, práticas que fazem muito sentido, como: 1) quebrar a lista ‘To Do” em tarefas pequenas para proporcionar uma sensação de andamento, diferente de você colocar apenas um nome genérico como “Projeto X”, que dura semanas e você não percebe quanto concluiu ao final do dia, gerando uma sensação de improdutividade; 2) trabalhar em ciclos de 90 minutos, pois o nosso corpo é feito de ação e reação, você contrai um músculo e logo relaxa, você inspira e expira, da mesma forma, seu cérebro foca e precisa relaxar; 3) priorizar o que é importante nos primeiros 90 min de foco, logo depois cuidamos das urgências (responder e-mail, fazer uma ligação, imprimir um documento), pois se dedicamos as horas de maior produtividade do cérebro para responder e-mails, jogamos uma incrível janela temporal na lata do lixo.

Sempre fui adepta dos pequenos intervalos, mas geralmente eu fazia a cada 2h e não tinha o gerenciamento de dedicar 1h30 para o que importante e apenas 30min para as urgências, geralmente eu começava a responder e-mails e minhas 2h de ‘produtividades’ não passaram de pequenas resoluções que não agregam muito para os meus projetos de longo prazo. Estou tentando todos os dias fazer essa divisão, não é fácil.



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Assim como as flores do deserto

De tempos em tempos as flores do deserto precisam de uma pausa na sua vida de jarrinho para arejar as raízes, esquentar a batata e receber terra nova. Depois de replantada, volta cheia de botões e flores desabrocham quase todos os dias.

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do meu jardim

Nas férias fiz esse ritual. Retirei as plantinhas dos jarros, lavei bem as batatas e deixei ao sol por três dias antes de replantá-las nos jarros. Comprei uma terra especial com cascas, que deixa o solo mais seco, já que não retém água, e misturei com carvão vegetal.

Em menos de 15 dias, todas colocaram cachos de flores e as folhas ficaram verdinhas como nunca. Percebi que fiz todo o ritual de paz da flor do deserto em uma ótima época, pois nesse mês começaram as chuvas, então todas estão de vento em popa.

Quando fui tirar foto das três plantinhas que passaram por seus dias de relaxamento, fiquei pensando que assim como elas, precisamos também desse processo de nos retirar da rotina para dar um ‘up’ e olhar a vida com outros olhos.

Sou adepta da rotina, então quando algo sai do planejado, parece que o restante do dia dará errado. Há algum tempo eu tinha dificuldade de tirar férias justamente por me sentir perdida. Porém, esse final de ano foi diferente, aproveitei para tirar muitas coisas do papel, cada dia foi completamente diferentes um dos outros…

Senti-me como uma flor do deserto sendo retirada do jarro para arejar as raízes. Esse ano vem sob uma perspectiva de me permitir descansar, assistir a animes, ler meus livros, cuidar das plantinhas, praticar meus esportes e escrever, não me perder no turbilhão do trabalho e ter o restante do tempo sugado pelas redes sociais.

Esses são os botões que diariamente tenho florido.

[Melhores] Leituras de 2024

O ano de 2024 foi cheio de altos e baixos com relação aos livros, em alguns meses li bastante, outros passaram em branco, ou seja, não tive constância, como em alguns tantos outros aspectos da minha vida. Seria o meu ritmo de leitura apenas um reflexo de como andam os meus dias? Provavelmente sim, mas talvez não tenha nenhuma relação e seja apenas o meu viés de confirmação falando mais alto.

Seguindo os dados coletados do GoodReads, li 29 livros, incluindo mangás e contos, um total de 6.003 páginas. Como foi um ano em que passei parte do tempo fazendo duas faculdades, li bastante para as graduações, porém no último trimestre no ano acabei trancando a Faculdade de Letras por sentir que precisava me dedicar mais a estudar os assuntos relacionados ao trabalho.

Dos três mangás que li, o Gen Pés Descalços vol. 4 e o Na Prisão foram excelentes, ou seja, apenas um (33,33%), o Nana, não causou grande impacto. No 4° volume do Gen, podemos acompanhar o pós guerra e dominação dos EUA no Japão com toda humilhação ao comprar a submissão dos adultos com enlatados de alimento e as crianças com chicletes e outras bugigangas. O Na Prisão trás um relato detalhado da rotina da prisão japonesa, desde os pormenores do fardamento, como os horários para cada atividade, as conversas repetitivas de cada dia, o controle financeiro e as distintas histórias e perspectivas de vida de cada um que está ali, tão padronizados pelo sistema, mas universos tão distintos.

Para elencar os três melhores livros que li nesse ano, posso citar o Cartas a um jovem poeta, de Rilke, que me marcou profundamente e carrego uma frase comigo todos os dias quando olho para as coisas banais da minha rotina “Se o cotidiano lhe parece pobre, não reclame dele; reclame de si mesmo, diga que não é poeta o bastante para acessar as suas riquezas”; como travo uma batalha diária para resistir ao feed infinito do Instagram, tento fazer um link sobre o quanto essa rede social mata o nosso poeta interior.

O 1984, do Orwell , sem sombra de dúvida, foi o melhor livro de ficção de 2024, muito envolvente, com personagens alegóricos cheios de significados e com um pano de fundo que nos faz refletir sobre a nossa condição atual. Foi muito interessante lê-lo nesses tempos de chat-GPT, uma vez que as obras artísticas de romance e músicas são criadas por máquinas, o que pode não ter muito significado real, mas é uma miscelânea do que agrada a grande massa populacional.

O Um, nenhum e cem mil, do Pirandello, foi uma das histórias mais leves e cheias de reflexões desse ano, principalmente no sentido da percepção do homem sobre si mesmo, seu relacionamento com a sociedade. Também é interessante ressaltar o quanto quando não estamos bem com a gente, diversos aspectos da nossa vida tendem a ruir aos poucos. Olha só… seria mais um ponto para o viés de confirmação sobre o meu ritmo de leitura?!

Quero deixar também a menção a duas outras obras, o Um artista da fome, do Kafka, que reflete sobre a melancolia do artista de não ser compreendido, e De repente nas profundezas do bosque, do Amós Oz, que demonstra de maneira simples e poética o quanto a sociedade é cruel e hipócrita.

E, para fechar esse post, cito também o livro infantil Se você quiser ver uma baleia, que para os adultos serve como lembrete de manter os olhos no nosso objetivo sem desviar para coisas banais e fora do nosso propósito.