| CARVIEW |
Estou aqui à janela desta minha penthouse, o ultimo andar a contar do céu e parece que deixei o coração junto com o carro, na cave.
Lá fora de onde acabo de vir não trouxe vontade de voltar, a minha vida não tem nada para contar.
Estou bem e sinto-me mal, nada me falta, tudo corre bem e no entanto é como se tivesse alcançado nada.
Lá fora ficou o que julgo que quero, o que poderia ser, o que fui e o que não voltará a ser.
Estou sem forças, cansado de tudo, apetece-me tanto e no entanto não faço nada, não vou a lado nenhum e não digo coisa alguma.
Lá fora apetece-me ir onde tenho medo, onde está quem me pode fazer feliz e que não quero pelo que me pode fazer.
Estou por aqui à espera de ir para chamar alguém que me venha buscar, ir dar uma volta sem saber para onde, com medo de não querer voltar.
Lá fora…
Estou aqui…
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]]>Ela mete-me a mão por dentro da camisa, sobe-a pelo meu corpo como quem toma posse e quer sentir se tem ali o que está a comprar.
Tento perceber o que lhe vai na cabeça, dá ideia que está a gostar, chego-me e percorro o seu pescoço como o lobo que se prepara para desferir o golpe mortal… mordisco-lhe a orelha.
Num abraço apanho-a e levanto-a, puxando-a, num bom apalpão nas nádegas para cima de mim e, ela diz-me enquanto roça o seu rosto no meu:
- Chama-me nomes.
- Laura!
- Não, tonto. Nomes…
- Maria Cláudia.
- Não. Nomes feios…
- Balbina Anacleta
Até o meu respirar me excita, e quanto mais atenta estou, mais excitada fico e quanto mais excitada fico, mais excitante fico e quando dou por mim… tenho os cães a olhar-me, aquelas linguas… se eu tivesse uma daquelas.
Tomo banho e ficou louca a passar-me a mão, não tomo banho e penso que devia… mas o meu aroma começa a tirar-me a razão e quando dou por mim estou a massajar-me, a sério a minha boneca parece a boca da Manuela Moura Guedes… senti um arrepio na espinha.
Deiam-me um bocadinho que eu vou só ali tirar a pressão à chaleira… huhuuuu.
]]>Por vezes duvido da minha inteligência, como foi possivel não ter vindo aqui direto?
Mas avançando, se tivessem estado comigo nas ultimas vezes, tinham constatado que o grande problema é que a maioria das técnicas de abordagem são traidas logo à partida não pela técnica, mas pelo “primeiro passo”. É muito dificil a mulher estar recetiva se não conhecer.
Por isso o ideal é a malta ir-se pré apresentando, ou tornando-se conhecido. Eu tirei férias e estou à três dias a percorrer todas as ruas aqui à volta, a entrar nos cafés, restaurantes, lojas em geral, tomo o pequeno almoço, um copo a meio da manhã, almoço duas vezes, de tarde uma cerveja, chá com torrada, janto, compro um frango de take-away e ainda volto à rua para um café, compro cinco maços de tabaco por dia, fumo dois para pedir lume a meter conversa e para me virem pedir lume, compro os jornais quase todos, levei os eletrodomésticos a arranjar, a roupa é lavada nas 3 lavandarias aqui à volta e o carro mete gasolina todos os dias.
Apanho também o autocarro para o bairro aqui ao lado e depois chamo um taxi dos daqui, para me trazer de volta.
Tenho também ido a imobiliárias e visto muitas casas aqui ao pé, de preferência casas habitadas.
O plano resultou e já sai duas vezes com a Veronika, uma mulatinha de porte simpático, ainda nos estamos a conhecer e está a ser fantástico.
Ela fala pouco português, mas isso também ajuda que eu falo pouco… seja em que lingua for. Embora esteja a tirar um mestrado na linguagem do amor.
Amanhã é o nosso terceiro encontro.
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Foi quando tive a epifania da minha vida… usar a técnica não experimentada do bébé, mas em grande?
Os putos já estão grandes, tem boa pinta e já acompanham um gajo a dar umas de tretas para convencer uma bonita mulher de que eu estou pronto a repetir a dose… isso, ia dar a entender que eles eram meus filhos e que eu fazia um bom serviço, o “Queres ser a próxima?” infalivel.
Jantar porreiro com o Tiago, uma garrafinha de vinho, os putos também alinharam, cada um com a sua, sobremesa, umas amendoas amargas, café, macieira.
E lá fomos com os putos para a noite, parou-se o carro, eles sairam… eu e o Tiago fomos para casa guiados pela bela Filomena.
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Assim vou fazer a aplicação da técnica anterior mas corrigindo algumas coisas à aplicação de um conceito que de outra forma acredito vencedor.
Trabalho num 10º andar e por isso não aproveitar o espaço do elevador, que de outra forma é tempo perdido, para aplicar esta técnica seria um erro que eu não iria continuar a cometer.
Nem se pode dizer que acordei que estou convencido que não preguei olho, tomei banho, passei o desodorizante por mim todo, vai parecer que tomei banho o dia todo, luxo… visto as minhas calças mais novas, o blazer que comprei no verão de há dois anos.
Cuidado no metro para não me amarrotar, tudo tranquilo e controlado… eu estava o máximo, toda a gente olhava para mim, ainda bem que pus bastante desodorizante porque o dia estava quente, e ainda ia ficar mais.
Entro no prédio e paro em frente ao elevador à espera da mulher da minha vida… cheguei cedo de mais? Não interessa, vou ao meu lugar e volto a descer, pelo caminho começo a praticar no espelho do elevador o meu olhar matador, quero-me.
Aproveito para me secar na casa de banho, estava mesmo muito calor, ao voltar para baixo e atendendo a que não aparecia ninguém fui falar com o segurança… hoje é quê?
Sabado, por isso não havia ninguém… devem ter todos aproveitado para ir à praia.. diazinho bom para isso, que calorão estava, ou isso ou eu estava a ficar doente.
Estava a ficar doente, intoxicação pelo desodorizante.
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O “parece”, que é como quem diz a técnica do hã.
Funciona na base do semear nas mulheres a ideia, isto é muito util para homens como eu que apesar de gostarem muito delas, têm pouco jeito e por isso apreciam que sejam elas a tomar a iniciativa… mas como elas se tem andado a fazer de dificeis, o orgulho aguça o engenho.
Naturalmente e até da certeza cientifica, todos os métodos não são 100% infaliveis. Comecei este num ambiente que me pareceu controlado, o eletrico 28, genialidade das genialidades, é um ambiente multi cultural, descontraido e portanto… propicio a tudo.
Comecei por lançar um “miau” não muito alto, mas perfeitamente percetivel… uns primeiros olhares. Outro “miau” e a atenção estava presa.
Agora a parte da conquista… com o 28 a encher a técnica não resultou tão bem. A ideia era depois de implantada a ideia de que eu era um gatinho fofinho, dar no elemento feminino a vontade de vir ter e “brincar” comigo.
E aqui as coisas não correram tão bem. Já de pé, olhos nos olhos dela, faço ron-ron para ela… fui penetrado pelo olhos dela, passo a minha face no meu ombro e enquanto ronrono mais uma vez, pisco o olho e com os meus lábios mando-lhe um beijo.
Sinto uma mão a roçar em mim… estava estabelecido o contacto, ela começa a falar, havia gente a sair do eletrico e começávamos a ter espaço, ela apontava-me para a minha área “interessante” e dizia qualquer coisa que eu pensei ter conteúdo “brincalhão”, mas eu não lhe percebia a lingua dela.
Pisco-lhe o olho, ela continuava a falar mas no entretanto ela apontava para um outro gajo que entretanto corria, tinham-me roubado a carteira. Ainda dizem que a tradição não é o que era.
Lá tive de vir a pé para casa… na entrada do prédio, vejo o Alfredo que ainda me olha de lado.
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Eu sei, correu quase tudo mal, o Alfredo (o gato) embora de ar pachorrento não foi bem o que eu estava à espera, a ideia de o levar já no babigrow foi infeliz, por outro lado pdia ter deixado perceber com antecedência que as coisas podiam correr menos bem.
Vesti-lo foi até mais ou menos, o problema foi a viagem, o que o gajo berrou, o que o gajo esperneou… um horror, tive de parar num chinês a caminho para comparar umas fitas de velcro.
Chegámos ao shopping e para evitar figuras parei a alguma distância, verefiquei o velcro, tudo seguro, e depois do leite com Dormidina o Alfredo estava que parecia efetivamente um bebé.
No entanto depois da paragem ao sol no chinês, o leite entornado do biberão enquanto tentava dar o calmante ao gato emanava algum cheiro a bebé a precisar de atenção… tinha de ser rápido.
Entro no shoping e o gato começa a despertar, mexe-se quase doucemente e o plano parece que está a resultar,à minha passagem as belas seguem-me com o olhar embevecido.
O carrinho entretanto começa a parecer que tem vida própria, o efeito da Dormidina tinha efetivamente deixado de funcionar e o Alfredo berrava como se o quisessem matar.
Eu era agora o centro das atenções pelos piores motivos, o carrinho parecia um tremor de terra com um dinossauro errascivel aos saltos e a dar berros assustadores lá dentro, o cheiro a leite podre misturado com o cheiro a caca (coisa normal num gato assustado, sei-o agora) estava a deixar-me agoniado.
Ao ver que tudo estava a ameaçar fugir-me de controlo entro num elevador…
Não me lembro de mais nada… o Alfredo soltou-se no elevador, não se sabe bem se desmaiei antes ou depois de ele se soltar.
Ele está bem… eu estou no hospital/prisão de Caxias (pelo menos mais uns dias).
CD
]]>Não se ponham com ideias, voçes são piores que sei lá o quê, adiante, ao ver como as representantes do sexo feminino se embeiçavam, viravam e derretiam à passagem do mini mestre… pareceu-me evidente.
Sai do trabalho e ainda no metro comecei a pensar, cheguei a casa e… continuava sem saber onde arranjar uma criança.
O pequeno Gabriel ainda é muito pequeno, tem dificuldades em aguentar o pescoço direito, precisa em demasia de cu limpo, que lhe deiam comida e o façam arrotar amiude e o que mais ele se lembrar.
Assim e como quem não tem cão caça com gato, foi isso que fiz… pedi aos amáveis pais do para-já-não-me-serve-para-nada Gabriel um babygrow, um carrinho de bebé a uns primos que já tem a descendência a andar pelo próprio pé, conversei aqui aos vizinhos e e amanhã vou para o shoping com o gato Alfredo.
Provavelmente não digo como correu já amnhã que vou estar com a mãe dos meus filhos.
CD
]]>Depois desta tirada vamos passar à metida, este foi o ano do tempo, do tempo que ganhei, do tempo que fiquei a saber ter perdido, do tempo a que passei a dar mais valor, do perceber que não sei gerir o meu tempo, do tempo de dar tempo ao tempo, do tempo sem tempo e do tempo de deixar de esperar enquanto espero.
E como estou com fome, passamos já aos desejos e que basicamente são saúde* para mim e para todos e que de resto, ao chegar ao fim do próximo ano continuemos a ter esperança, como agora, e desejar que o que vier não seja pior que o que tivemos.
CD
* – dessa e das outras
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