O que está a dar é o walkman, e para levar na mão ou ao ombro.
Clutch Marc by Marc Jacobs.
| CARVIEW |
O que está a dar é o walkman, e para levar na mão ou ao ombro.
Clutch Marc by Marc Jacobs.
Com visitas quase diárias ao ginásio, só me falta praticamente o sangue. Isso e estas camisolas tão apropriadas para treinar,
da linha Let’s Exercise da Wildfox.
No ano passado deram um ar da sua graça, neste Inverno provam que não são acessórios para tomar chá mas sim para pôr ao pescoço. Tirem as mantas do sofá e levem-nas para a rua. Depois de uma breve iniciação no Inverno de 2013, eu estou rendida aos metros e metros de tecido em cima dos ombros, de tal forma que olho para os outros cachecóis e parecerem-me fios de esparguete.
Fotografias de Jorge Vieira.
Vi este volume e velozmente verifiquei a vivacidade vocabular, vasculhando voluntariamente a carteira à procura do visa enquanto a vista voava pelas vinhetas vintage. Porque sim, sempre gostei de aliterações, e este livro editado pela Little Gestalten é precisamente isso: “an aesthetically awesome alliterated alphabet anthology” onde cada letra do alfabeto corresponde a um pequeno texto em que quase todas as palavras começam pela mesma letra. Do astronauta altruísta Atticus que está num abismo anti-gravidade, à zombie Zooey que vê Zeppelins aos zig-zags em Zurique, Alphabetics é um exercício estimulante em torno da linguagem que mostra que ainda há coisas para inventar nos livros de abecedários para miúdos. Os textos têm graça porque dão azo a cenários surreais como um esquimó excêntrico que embarca numa expedição ao Evereste em cima de um elefante, e as ilustrações de Dawid Ryski dão um toque retro a tudo que se vê logo na capa – onde está representado o colossal Cornelius com a sua câmara clássica Contaflex – mas continua por cada uma das 26 letras.
No fim, ainda há um glossário que explica o que são Zeppelins e uma série de outras palavras.
*esta explico eu e é mesmo souvenir, em alemão.
Não estive em Berlim anteontem, quando se assinalaram os 25 anos da queda do muro e se lançaram ao ar os oito mil balões luminosos, não vim fazer um post comemorativo do primeiro aniversário em que me juntei ao wordpress (até porque nem repararia, recebi um aviso) e não tenho fotografias boas para mostrar. Mas estive em Berlim e apetece-me contar ao mundo, mesmo com um mês de atraso, que aprendi a gostar do Outono no Tiergarten, com os seus lagos e esquilos de cauda em vison; vi a mesma estátua que o Wim Wenders (ah, o Wim Wenders) filmou no Wings of Desire com os meus próprios olhos; aprendi a orientar-me na cidade através da Television Tower e da sua antena inspirada no Sputnik; vi como se vivia na Alemanha Oriental – e o que eram jeans de Leste – no DDR Museum; perdi-me na loja-café da Gestalten, com vista para o Zoo; enchi o iPhone de fotografias de arte urbana no Haus Schwarzenberg (e um pouco por todo o lado); comi muito e comi bem por pouco dinheiro; toquei no que resta do muro debaixo de um céu que resolveu chover tudo de uma vez; quis abrir um hotel como o Michelberger, com o seu néon de boas vindas, as caixas de correio às cores e a comida vegan; e desejei ter mais 15 centímetros de altura, como as alemãs de gabardine e Air Force 1 que vi por todo o lado.
Não cresci em metros mas alarguei os horizontes, e por isso obrigada, Berlim.
“Quando estou contigo, as luzes acendem-se.”
O Osso da Borboleta, Rui Cardoso Martins (Tinta da China)
Mesmo que não estivesse escrito nos livros, eu sabia que a cabeceira da mesa era para o chefe de família. Não aprendi na minha casa mas aprendi na tua, e sei que a minha memória não me engana quando salta estes últimos meses e te lembra sentado no topo, ou em pé e mais alto do que todos os outros.
28 de Março de 1952 – 19 de Outubro de 2014
Não é que eu precise de mais gatos agitados em casa, mas voltei de Berlim (viagem de que espero conseguir falar em breve) simplesmente encantada com estes relógios. Os olhos mexem-se de um lado para o outro e o rabo também segue o compasso dos ponteiros, num design retro – retro entretanto, porque eles são mesmo antigos – que não podia estar mais na moda. Eu encontrei-os na Friedrichstrasse em todas as cores, versão gato e também gata (em vez de um laço têm um colar de pérolas e pestanas compridas como as da Minnie) mas já vi que volta e meia também aparecem na Urban Outfitters, para quem quiser felinos empoleirados nas paredes.