| CARVIEW |
Toda vez que eu penso em deletar o blog ou trancafiá-lo para sempre, sei que é hora de rever as pessoas com quem estou andando. É que se há censura para ser quem sou, dizer o que penso e escrever, algo anda muito errado nestas paragens. E então hiberno sempre, adiando as decisões. E o pior: paro de escrever.
Faz tempo que penso em mudar o nome desse blog. Mas a mudança vem e volta em meu coração. Cheia de ressalvas ainda. Caminhemos por aqui mesmo então.
Em 2015, desde primeiro do ano, fervilha em mim a vontade de retomar a escrita do blog, mas só hoje pude realmente me dedicar. Questões de matutar e também de ter acesso à conexão que prestasse – afinal de férias ninguém deve ficar on line muito tempo se tiver juízo.
Então feliz ano novo e feliz recomeço!!! Estou (querendo estar) de volta!
]]>Escrituras.
Linhas se delineiam no chão de areia e terra batida
ao redor da menina
no rastro da mulher .
E rodopiam mulher e rastro, terra e fogo.
Calos nas mãos de escrita,
nos pés descalços.
Na alma, rasgos e palavras.
Percalços.
]]>Escrevo para desencontrar.
Escrevo para não surtar.
E escrevo porque surto.
Escrevo porque sussurro. Escrevo porque falo. Porque ouço. Porque grito. Porque choro. Escrevo porque rio, sorrio, gargalho. Explodo.
Escrevo porque há lápis. Mas gosto mais de caneta.
E teclo. Quase como penso.
Escrevo. Rabisco. Não apago. Publico.
Escrevo e encontro. O outro. O amigo. O inimigo. O sonho. O etéreo. O impalpável. O mito.
Os íntimos.
Serena canto palavras no papel.
Insana rasgo as mãos em palavras.
E elas brotam estúpidas, pálidas, pesadas.
E leves, mais leves que a alma.
Alena Cairo
Mas daí a quase uma timeline inteirinha do facebook que nunca tinha publicado sequer um postzinho do mais ordinário ou minúsculo sobre o político falecido e, de repente, virar carpideira eleitoral do defunto… me façam uma garapa.
A psicologia explica a tendência a santificarem os mortos. E a cultura popular também. Não, eu não tenho saco para isso. É um atentado à inteligência.
]]>A última ponte não é a última esperança… quimeras da última aliança.
A última foto não é a última morte… nem a última câmera.
O último sonho não é o findo suspiro… quem dera a lembrança.
A última lágrima não é a doce lembrança… choro de criança.
O último vento não é a finada cortina… ainda desolação.
A última chama não é o esperado orgasmo… sequer deleite.
A última dor não é o último pulso… voo transcendente ao infinito.
Esperas. Demoras. Que horas? Embora.
]]>Bacante.
Olhos nos olhos ouvindo a canção.
É que eu tomei um vinho bom hoje há pouco
então a música tocou e me lembrei de ti
e tem dias em que a gente faz amor na vida…
Hoje eu faria…
Do tipo olhos nos olhos e puro sentimento
quando penetrar é comunhão com o outro –
aquele momento único em que se sente o ser humano,
na hora em que se ouve estrelas e se
sente como na nona sinfonia de Beethoven.
Estou toda mulher
materializada em seu desejo
sentindo intensamente.
]]>Você pode estar aí pensando que eu disse não. Mas eu perguntei por quê? É que minha mãe me ensinou que “nada tem que ser, mas tudo pode ser”…
E ela, a mãe da aluna, me respondeu que a filha tinha resolvido doar a (linda e vasta) cabeleira ao GACC (Grupo de Apoio à Criança com Câncer) depois de visitá-lo. E ela, a mãe, não tinha tido tempo ainda de levar a garota para cortá-lo.
É que eu passei um trabalho em que cada aluno , após ler sobre o profeta Gentileza, ouvir músicas e estudar uns textos sobre ele e sobre o tema, fizesse uma gentileza urbana.
A garotinha de 13 anos leu, estudou, foi a instituições de caridade, plantou árvore, distribuiu flor na praça e… resolveu doar cabelo para fazer peruca para crianças com câncer.
E eu às vezes não sabia que se poderia ser tão melhor assim como humanos. E esses meninos e meninas podem ser. E eu gosto disso.
É. É esse o salário indireto de idealistas como eu que entram na sala de aula todos os dias.
Sim, e isso ameniza o choque do contracheque.
]]>
]]>
há anos metaforizam o coração de concreto.
Se torrencial,
melhor ainda explicam os impossíveis.
E o nada.
O só.
E o vazio lamentável.
Mas conformado.
Itinerante recluso.
Tons amarelos,
árvores semimortas,
folhas caídas do outono de repente
fazem a atmosfera de inverno particular mudar.
Na lógica maluca do tempo,
as alegrias primaveris deveriam se estabelecer
e as cores invadirem os espaços internos.
Olhos de arco-íris.
Outras eras.
No contratempo biográfico,
o tempo de ré no renascer:
outono de quimeras.
Tempos mais brandos.
Felicidades mais simples.
Assim, assim.
]]>Hoje com Alice me sinto diferente e a cada fato que acontece me pego muitas vezes horas e, às vezes, dias, imersa em reflexões sobre o impacto que a educação dela terá sobre a sua pessoa (sabendo eu que tentamos acertar, mas não podemos assegurar vitória absoluta do que projetamos porque o outro é o outro). Vivo pensando no impacto que a minha forma de ver o mundo causa nela, no tom que verdadeiramente reverbera, nos ecos que ficarão… E, PRINCIPALMENTE, penso no que ensino sem saber que estou ensinando, no ‘currículo oculto’, na força do exemplo, da minha forma de agir que nem sempre é exatamente afinada com o que idealizo ou proponho nem o modelo ideal que almejamos.
Quando fui vendo a derrota da seleção de futebol acontecendo e de forma tão realmente humilhante, me senti perdida no misto de meus próprios sentimentos e na necessidade urgente que eu tinha de traduzir aquela perda para ela, minha filha. O que dizer? Como agir?
Ela me viu triste, pensativa, chateada e me perguntou porquês o tempo todo. Não sei se soube responder como deveria. E ainda estou no meio do turbilhão.
A certeza que tenho é que sou de uma geração que riu de si mesma, que riu do outro, que riu do país e que teve uma autoestima enquanto povo muito fraquinha. Exceto no futebol. Por isso jamais aceita perder uma partida, empatar ou mesmo ficar com prata ou bronze.
E sei, na prática, também, que isso de malandragem, levar vantagem e se dar bem ficou muito longe de ser o ideal para educar o povo brasileiro. É um perfil que não conduz a bons caminhos.
E eu tenho uma outra certeza muito forte de que não gostaria de ver a minha filha crescer com autoestima baixa nem enquanto pessoa, nem enquanto mulher, nem como brasileira, latino americana. Já está mais do que na hora de uma outra história e tudo aponta para uma revisão da nossa identidade.
A propósito, incomoda-me profundamente a alcunha de povo sofredor porque sinto embutida nela uma justificativa que parece amainar a garra de fazer diferente. Um conformismo tácito foi gerado com esse MITO.
Não consigo massacrar os jogadores, nem o goleiro, nem o técnico. Perdi junto com eles. Eles jogaram com a camisa que também visto por nascimento e por escolha. E não foram vendidos, não estavam pouco se lixando, não acharam graça nenhuma. Estão tão decepcionados quanto nós. A derrota deles é a derrota do país também. Sinto vergonha como eles e com eles. Fiquei puta, fiquei nervosa e fiquei com a cara de cu que os 200 milhões ficaram.
Saí (para espairecer) após o jogo, fui ao mercado, abastecer a casa, retomar a vida, reajustar os trilhos… Fui, depois, caminhar sozinha com meus botões por uma hora. E vi muitas crianças levadas pelas mãos de seus pais, pelas mães, por suas avós… todas vestidinhas de verde e amarelo. E as maiores estavam com a decepção estampada no rosto ao lado de familiares que pareciam querer superar o próprio sentimento. As menores brincavam como se nada tivesse acontecido ou como se o passado já fosse mesmo passado no parque infantil às 21h do dia desse jogo.
E nessa uma hora a pé… revi minha história pessoal e constatei que só quando me preparei bem obtive bons resultados. Ainda quando preparada, não garanti as vitórias que escolhi porque sempre houve, há e haverá mais variáveis do que a gente pode prever. Mas técnica, estudo, preparo, organização podem mais conduzir a resultados favoráveis. Foi o que a Alemanha imprimiu diante de um time que ficou atônito vendo a tsunami de gols levar seus sonho embora.
Então acho que cheguei ao que eu quero dizer a Alice agora: a vida continua, o parque está aqui e a escola amanhã de manhã. Não é hora de rir de si, não se escarnece de si próprio, não faça isso, filha, leve-se a sério. E isso não tem nada a ver com o fato de ser engraçada ou de saber rir das intempéries. Aprenda com a derrota, analise o que falhou e se reerga. Sempre.
E nunca se esqueça de que somos nossos maiores inimigos.
Apenas uma seleção ganhará. A gente não ganha todas e a vida nos bate diariamente. Ficamos entre as quatro melhores. Já tem um mundo para bater na gente e não sou eu que vou ficar dando soco no espelho. Hora de catar os cacos e repensar os caminhos, fazendo, com certeza, escolhas diferentes das que conduziram à derrota. ]]>
E a cerimônia a que ninguém quer ir um dia chega. Chega hoje, chega amanhã. Ou já chegou ontem mesmo. A pessoa não queria morrer. E essa não é a novidade.
Mas assim… ela preparou os filhos para não gostar de corpo morto, para não cultuar o caixão com a palidez e todo o sofrimento do não-vou-ver-mais você. E assim os meninos providenciaram uma urna fechada. E um violão e uma voz. E a música deu o tom que só nos fazia pensar no riso dela, a que se foi. E os acordes foram penetrando na alma… E é claro que uma lágrima teimosa rolou. E é claro que o coração ficou apertadinho com gosto de quero-mais-te-ver-te-ter-estar-com-você.
Mas o riso ia e vinha entre o embaçado da visão e o som da canção. Ao redor, a certeza da vida bem vivida, dos amigos feitos, do peito grande onde couberam tantos amigos. E o sol forte nos expulsava dali, daquele campo santo onde o físico um dia se encerra. Parecia querer nos lembrar da vida lá fora. Do sorriso dos netos. Das brincadeiras engraçadas. Da forma de se fazer tão presente, tão importante, tão solícita.
Então almoçamos juntos, todos juntos. E o riso veio com a memória. Com a certeza do que vai permanecer: a história. E o amor da gente.
Izabel, com Z. (Saudade da porra de você).
outras brisas quero sentir
na calmaria entre tufões do existir.
Outros espaços se configuram,
novos projetos se delineiam
e os ânimos a alma incendeiam.
Soprar. Respirar. Inspirar.
Calma, lânguida e misteriosa
a rir dos destroços jocosa.
Pedaços, espaços, carcaças:
obsoletos.
Caminhos, desejos, vontades:
dialetos.
E lá vem ela, a brisa intentada.
Sopra, leve, bosquejando a história.
Capitanear é preciso.
Agora.
Há dias em que sua tolerância está maior, seu bem-estar prevalece e as coisas, tacitamente, acontecem.
Há dias em que a leveza se instala suavemente e vira promessa e projeto de vida.
Há dias em que o azul ilumina. A alma. ]]>
Tudo errado, eu sei. Não recomendo.
Procurei médica amiga, paciente, delicada… não, não deu. Muita dor e recomendação de passar pomada e tomar anestésico na hora. Faltou coragem, resolvi ficar Frankenstein para sempre…
Era mesmo um plano.
Aí hoje (há dias venho pensando nisso), saradinho, tudo fechadinho, resolvi cortar os pontos com tesoura estéril e tentar puxar… até… amanhã … com a ajuda da pomada e dos anestésicos. Respirei fundo (umas 25 vezes), deitei na cama porque tenho gastura… minha pressão abaixa… abaixou mesmo, fiquei lívida… abaixei a cabeça e, quando pude respirar calma de novo, segurei a pontinha da sutura só para sentir como é que ela estava. Depois de sentir o drama, passaria a medicação. Entretanto, magicamente, como se fosse preso em indulto de Natal, o fiozinho transparente deslizou macio pra fora do corpo. Um por um, menos um, menos um, menos um e menos um. Não eram cinco? Ou um ficou para dentro ou saiu sem que eu visse num destes dias em que machuquei a mão já machucada. Ufa!
The end
* * *
Agradecimentos sinceros e aliviados desta mulher extremamente sensível quando se trata de procedimentos médicos (outros diriam : frouxa) às amigas que acompanharam o drama: Lorena Formosinho, Kau Fernandes, Mariana Landinn e Andrea Specht Dortas.
rs
dilacera,
expõe as entranhas,
tortura
essa civilização despreparada para a brevidade.
A morte incomoda.
O outro.
A dor tem cara de pasmo.
Aspecto de estupefacção.
Cara de espanto.
A dor se finge de ‘estou bem, obrigada’.
O outro: não quer ouvi-la,
não quer vê-la em lágrimas,
debater-se,
jogar-se no chão,
gritar inconsolavelmente
até a exaustão…
adormecer o corpo de quem a sofre – a dor.
Caminhar mil voltas sem saber nada nem para onde.
Este onde que nem existe mais.
O outro precisa entender que a vida continua.
Não o sofredor, mas o outro,
aquele que passa ao largo dela – a dor.
Este outro precisa ver-te de óculos escuros,
sorriso amarelo, mas ainda sorriso.
Porque a tua dor não te incomoda mais do que a ele.
Ele, mísero, é humano.
É pequeno.
E se sabe igual a ti: falível.
Passível de todo e igual sofrimento.
E é isso que o incomoda.
Essa humanidade toda que o atordoa.
E o torna incapaz.
De compreender.
De agir com exatidão.
Ele te quer bem. Quer-te feliz.
Indefectível.
Mas tu não podes mais fazer-te do que não és.
Só dor, só rasgos, só queimadura aberta no peito.
Mágoas da vida ferida.
Tu não podes pôr o teu vestido de flores
e sair leve pela manhã.
As flores estão despedaçadas.
E o vestido sem cor.
E o céu. O mar. A noite.
Tu és um naco de peito.
Pedaços de lágrimas.
Resto de gente.
Porque a morte bateu em tua porta.
E te feriu impiedosamente.
Louca: tu te sentes tendo que continuar a viver.
Mas ela, a vida, é imperativa.
É uma ordem para os que não desistem.
E ela insiste, severina, a te abrir os olhos e a te fazer enxergar
o que tu ainda demorarás séculos a ver.
Este é o teu momento. A tua dor. O teu desespero. O teu rasgo sem regaço.
Sente-o. Ainda que sozinha por vezes.
O outro não sabe.
Não. Não tem como saber.
A dor te abraça. A morte perpassa.
Até que tu renasças.
Alena Cairo , 23/10/2013
]]>
É… porque beleza sem uso é beleza morta. E antes de casas perfeitas para gringo ver, prefiro casas de verdade para eu viver. ]]>
Olho a cara, o perfil de empáfia da senhora ou as olheiras da mulher de 30 que denunciam um filho ainda pequeno em casa ou mesmo o jovem casal ou o trio de adolescentes tagarelas… e fico a tecer a vida de cada um. É uma profusão de hipóteses.
Um carrinho cheio de água mineral, queijo francês, cerveja importada, brócolis e rúcula nos leva a personagens e enredos diferentes de outro com biscoitos recheados, danoninhos, cheetos e coca-cola. Há quem compre uma unidade de cada coisa, mais produtos de limpeza que comida… mora só e não come em casa. Ou quem leve 24 cervejas numa compra rotineira… sinal de barriga grande ou festa sempre, vai ver tem varanda em casa e lirismo na alma…
Acho graça dos que compram muito frango ou que se entopem de sucos de caixinhas (aquela coisa doce e insuportável). O tamanho da família? É fácil: basta contar os rolos de papel higiênico que a pessoa leva. Pacotes com quatro, seis, oito, doze ou dezesseis… e ninguém discorde porque acho bem pouco provável que haja gente sozinha estocando papel higiênico para o fim do mundo.
Mulheres jovens compram absorventes, descoladas levam o interno e os homens, de vez em quando, pegam aquelas meias que ficam nas gôndolas perto dos caixas. Acho legal homem que compra fruta e verdura, me dá uma sensação de gente boa, de pai ou marido legal, tipo de homem com quem eu aceitaria uma união (estável, por favor, que de instável já basta !).
Jovens em turma compram menthos e juntam as moedas para as caixinhas de tic tac que salvarão seus hálitos nas jornadas de beijos que a semana promete. Meninas envergonhadas colocam 32 coisas numa cesta só para esconder o pacote de absorventes que tiram rápido na sua vez e embalam de modo mais ninja ainda após pagarem, largando as 31 coisas para trás…
Crianças enchem o saco dos pais e conseguem os doces e chocolates que querem, tomam um toddynho, um iogurte, um refrigerante ou suco de caixinha e ainda abrem o pacote de biscoito e o de salgadinhos para, lambuzadas e sujas, sorrirem com a expressão de vitória que só os tiranos e elas sabem bem fazer. Típica casa em que os pais trabalham demais.
E a vida se desdobra em cada carrinho ou nas modestas cestas: é prenúncio de festinha se se compram 12 latas de leite condensado; são sinal de almoço em família ou solidão absoluta os potes de sorvete derretendo na exaustiva fila, por cima de um carrinho abarrotado de compras ou junto a meia dúzia de itens.
É possível ver o strogonoff – se há creme de leite e peito de frango, de adivinhar a feijoada quando há dois quilos de feijão preto e carne suficiente ou sentir o cheiro imaginário do churrasco se o senhor compra picanha, calabresa e cupim.
Gosto de pensar em jovens casais que têm janelas – quando os vejo comprando vasinhos de flores e no marido previdente, que leva lanterna e pilhas, possivelmente vulnerável por causa do último apagão.
Vejo o carrinho cheio de caldo knorr, extrato de tomate e óleo de soja e imagino a empregada fazendo gordices ao modo tradicional. Ao lado, uma senhora fininha com salmão e alcaparras e o legítimo azeite extra virgem, pensando numa saúde que quer ter e , provavelmente, descendo todos os dias para a academia a fim de manter a forma e a vida por mais tempo.
Lá vem o Omo e penso na força do marketing que leva as famílias a crerem que apenas o sabão que , na verdade, mancha e desbota , dá ‘o branco que a sua família merece’. Gosto de quem compra amaciante porque sugere que gosta mais de si e dos seus, com roupas fofinhas e cheirosas. E quando vejo no carrinho uma vassoura, sempre penso no estado lastimável a que a velha chegou para que fosse trocada. Se for vermelha, penso logo que a bruxa pode voar nas horas vagas.
E, então, chega a minha hora de pagar, perco o devaneio e , ansiosa, espero para ver quanto me restará após pagar tudo que julguei necessário, útil ou que me faria feliz. Por um tempo. ]]>
Ownnnn, na moral… meeeeesmo! Como se diz no popular, o dia é todo dia… Mas, se inventaram a data, eu fico aqui pensando quantos Mister Pênis e quantas Miss Vaginas serão presenteadas hoje. Isso é estratégia de marketing para sex shop vender mais?
Como diz o bordão do gaiato do bode: “Armaria, mainha, nãmmmmm!” ]]>
Corpo. Cabelo. Bunda.
Perna. Depilação. Seios.
Ácido retinóico.
Nutricionista. Cardiologista. Dermatologista.
Academia. Musculação. Aeróbico. Força. De. Vontade.
Cabelos. Cremes. Massagens.
Espelho.
Banho. Cuidados. Pele.
Loja. Lingerie. Sapato alto.
A lida feminina.
Exigências ou aderências?
Imposição. Bem estar.
Autoestima.
Mimos.
Alegria.
Leveza.
Mas chegam as 18 horas e minha cara de pau tem vontade de perguntar à doutora se abará tem índice glicêmico baixo… ]]>
Mas a mulher que a comprou a veste como se fosse um ritual, no pós banho, com cheirinhos de vida nova, e sente, à medida que a pele é envolvida, um empoderamento mágico, uma força mística que lhe deixa com a espinha ereta, um sorriso nos lábios e um leve arqueamento dos ombros para frente. Ela pisa forte, segura, senhora de si e do mundo e anda como se desfilasse. No seu corpo, podem ir a calça jeans surrada, a blusa sem graça de algodão, o vestidinho leve ou o longo respeitoso, o moletom ou a malha da academia, a camisa de mangas compridas ou o casaco pesado de inverno. Não importa. Ela caminha como se usasse uma roupa invisível e , sobre nuvens, a passos macios, sente toda a sua sensualidade. ]]>
Então você namora longamente o algodão e o frasco de acetona, toma coragem, mata a preguiça hercúlea e vai até lá, pega-os, dá um jeito legalzinho nas mãos … até que o diabo verde da limpeza sai escondido e vai tomar a cerveja dele porque hoje é quarta, véspera de quinta e prima da sexta. E então se instala aquela preguiiiiiiiiiça insana e você decide (Oh, my God!) que é melhor mesmo calçar o sapato fechado ao invés de simplesmente gastar três minutos a mais esfregando as unhas e tirando o momento Incrível Hulk de lá. Tá.
É… Era você que ia ao salão sexta, ia sábado, ia domingo no shopping (mas odeia shopping aos domingos) e adia para segunda… e terça passou e hoje foi quarta e deixou para quinta, amanhã. É. Foi você mesma que optou por isso. “Ô tempo que me incomoda é ficar parada esperando fazerem as unhas…”
Mas você, com sua cara de pau, ou melhor, com suas unhas radioativas, vai sair com o rapaz justo no meio da semana e apela, rezando para a
nossa-senhora-da-sapatilha-mostarda-fechadinha, para que a salve de si mesma , do seu momento green Kafka lá nos dedões do pé, que agora já estão bem ocultos… pega a chave do carro e sai faceira.
Conversa vai, conversa vem, toque daqui, riso dali, cheirinho, beijinho, mão na mão… abraço e tudo na mais perfeita ordem.
Até que a lei de Murphy se impõe e… o bonito resolve agarrar suavemente os seus pés e tira-lhe o sapato com a frase cinderela : “ai, deixa eu sentir o seu pé”.
Sim, você poderia ficar em pânico. Poderia sair correndo para sempre pelo mundo, poderia culpar sua filha-pequena-pintadora-de-unhas-verdes-e-amarelas-e-roxas. Poderia mentir que sua manicure está acidentada e que você só confia nela. Poderia ir ao banheiro e nunca mais voltar. Poderia, simplesmente, se jogar no mar da Pituba e nadar até a África… mas não. Dá uma risada gostosa, ao mesmo tempo em que ele lhe calça rápido a sapatilha, assustado com a cor.
E continua, sem muito desespero, a fazer o que estava fazendo: carinho. ]]>
De todas as frustrações, a que me angustia de verdade é o sentimento de impotência e falência. É aquele baque que dá na gente, aperta horrorizado o peito, quando sabemos que , ainda que de mãos livres, não atadas, nada podemos fazer de real. É a hora em que se depende do outro, em que se tem que esperar o outro, em que os humores, as razões e os sentimentos do outro é que vão decidir o que a atinge. E não você. Não as suas razões. Não os seus quereres. Não a sua emoção, o seu arbítrio ou o seu desejo. O máximo que lhe cabe é comunicar com delicadeza, torcendo para surtir o efeito desejado e despertar no outro o desejo de mudar. Quimeras!
E eu que nunca pensei que fosse chorar por causa de uma dificuldade de minha filha na escola, que nunca pensei que fosse me atingir algo da sala de aula, posto que estou nela quase todos os dias e conheço bem as suas nuances… me vi toda frágil, embrulhada em mim mesma quando a professora, delicadamente, me disse que ela resistiu a fazer a atividade, demorou e ficou em dúvida, embora depois a completasse: era o cartão do dia dos pais.
]]>Então, estropiada nestes desmazelos da vida para comigo, sem saber bem o raio que me atingiu, o erro que cometi, o destino que me era reservado, fechei-me debaixo d’água, lá onde tudo era permitido e protegido como num útero prolixo de sensações em concha. Só.
Espuma e tempo, bruma e vento. Nada. Neblina. Nada. Rotina. Nada. Sozinha. Nada. Só o aperto furacão para dentro, tufão ao contrário no corpo. E o tempo.
Só.
Até que.
De gota de tempestade, de rasgo de si, de mim mesma. De espasmos. De dor, de grito e de medo. De solidão. De sensação. De desconfiança erroneamente aprendida por necessidade de sobrevivência. Falência.
Até que.
Neblina e bruma. Isso mesmo.
Só isso. Tudo isso. E mais escuridão.
Depressão.
E o tempo e o luto. E o luto e o tempo. Só o tempo. Só. Sozinha.
Vagando. No nada.
Apenas. Só. Sozinha. No nada.
Apenas.
Um copo. Nenhum copo. Sem copos.
Um copo. Dois copos. Dois copos. Dois copos. Três copos. Um copo. Um copo.
Mais um e mais um e mais um. Um só. Só um.
Dois copos. Três copos.
De repente, taças.
Amigos.
Abraços.
Acalantos.
Amassos.
Necessários.
Então.
Até que.
Até que enfim.
Vislumbre do fim.
Alegria na janela, na porta entreaberta. No telefone. Na campainha. Na companhia.
Dois. Três. Seis.
Amigos.
E gota, e passo, e abraço, e doce, e espaço. E vida. E vida. E vida. Sorrisos. Só.
Com risos. Sorrisos. Não só.
Então.
Até que.
Por quê?
Não importa se quê.
Para quê?
Passou, está passando. O passo. Mais outro.
Enfim.
O fim?
Não sei.
Mas é o novo.
Começo.
Enfim.
Não só. ]]>
Já Beauty and the Beast foi me arrebatando num crescente típico de uma boa narrativa, capítulo a capítulo. A fórmula é simples: construir o enredo sempre criando a expectativa para a sequência, deixando-nos o gosto de quero mais, a vontade de saber o que é mesmo que vai acontecer depois. Junto a isso, um casal novo na tela com potencial e uma história com a (também) velha inspiração : desta vez, nos contos de fada. Poderia ser piegas e banal, mas o elemento mutação genética dá um quê moderno e verossímil que me agradou deveras.
O fato é que nos fizeram esperar muitos e muitos episódios pelo primeiro beijo e a primera transa demorou séculos (15 episódios) e nos deixou com gosto de quero ver mais. Lógico que assim que descobri a série em exibição on line assisti a primeira temporada todinha e aguardo agora a segunda, que só vem depois de setembro ao que se fala.
Mas tudo isso era só para dizer que este foi o casal de ficção que melhor embalou os meus arroubos românticos nos últimos meses. Passei muito tempo pensando e tentando descobrir os porquês de eu gostar tanto de Vincent e Cat até que matei a charada: ela é bonita, mas forte, inteligente e ágil, ao mesmo tempo, doce; ele, charmoso, másculo, sensível e, embora uma ‘fera’, apaixonado por ela. O resultado desta equação simples, bem aos moldes dos eternos contos de fada, é o resgate do mito do companheiro protetor que enfrenta os perigos e obstáculos para ter a amada no colo. E a tem. E como é bom sonhar com proteção!
Por isso , hoje, no dia dos namorados, este vídeo:
]]>
Eu sinto orgulho destas professoras que cantam, dançam, ensinam, fazem projetos e acalentam o choro dos nossos filhos, que nos fazem felizes com o legado que eles trazem de novidades para a nossa casa todos os dias. Sinto orgulho pela formação delas, por saber o quanto são empenhadas, estudiosas e boas em seu trabalho. Sinto-me segura em deixar a minha filha na escola todos os dias porque tenho visto o quanto acertei na escolha.
Amanhã, eu vou dizer à minha filha porque a pró dela não vai para a aula: ela estará em uma sala bem grandona, junto com muitas prós de muitas escolas, todos debatendo e discutindo um assunto que diz respeito à dignidade dos trabalhadores, à integridade moral e à melhora econômica da vida delas. E assim a gente, pai e mãe, pode ter a certeza de que as professoras, mesmo ausentes, continuam ensinando: uma lição tão linda que eles poderão levar para a vida inteira. A luta por si mesmos, por seus sonhos e pelo seu trabalho. É assim também que se faz um mundo melhor. ]]>
Rasgar-se de tão ferida
Só Frida.
Em cama de mágoas,
angústia, vazio e desamparo.
Auxílios capengas,
ajudas pequenas: insólitas.
Rasgar-se de raiva:
inconteste.
Manifestar-se.
Calar-se.
Oprimir-se.
Só lida.
Solidão.
Sumir. Calar. Morrer. Chorar.
Entre escombros, amar-se.
Levantar agonizante,
tropeçar.
Trôpega, andar.
Marchar.
Caminhar.
Espinha deveras curva,
tímida de medo.
Acreditar-se: catarse.
Perdoar-se: alívio.
Amar-se de novo: imperativo.
E de novo. E de novo. Novo invento cíclico.
Intento.
Caminhos, opções, atalhos dúbios.
Erguer-se.
Fênix feliz.
Apesar de.
]]>
Três dentes de alho, um fio de azeite extra virgem 13 ml (3 pp), uma cebola pequena cortada e 500 g de abóbora bem lavada com casca. Recheia o alho com o fio de azeite, quando subir o cheirinho delicioso, acrescenta a cebola e um pouquinho de água para fritar ainda, mexe para não queimar, acrescenta água e a abóbora. Após cozinhar até amolecer, bate no liquidificador e despeja na panela novamente.
No prato, acresça dois ramos de cebolinha cortadinhos e 25 g de croutons (uso o Crocantíssimo de peito de peru com requeijão da marca Plus Vita) ( 3 pp).
Total da receita inteira 6 pp. Rende 4 porções.

Para conhecer um autor, com licença, meu senhor, eu me ajeito num sofá, no meio do meu edredom ou em um canto qualquer – que isso é o de menos – e mergulho, isso sim, em sua palavras, sorvendo sua literatura e ouvindo os seus sussurros que me falam à alma. ]]>
E eu continuo amando esta possibilidade tecnológica de multiplicar os diálogos e conhecer o outro pelo que displicentemente publica.
]]>meu primeiro amor durou mil dores, uma semana e uns três beijos daqueles de filme. ]]>
2. aquelas que só sabem fazer ironia acrescentando ‘só que não’
3. as que rezam tanto, louvam tanto, oram tanto… e por isso se consideram melhores que as demais
4. as incapazes de se colocar no lugar do outro ou de ao menos sacar que há diversidade no mundo
5. as que pensam que o seu ponto de vista é o único válido no universo
6. as que julgam tudo por este ponto de vista
7. as incapazes de ponderar ]]>
A seguir, o textinho que mandei:
O maior presente da relação entre mãe e filho se resgata pelo olhar: aquele olhinho miúdo que lhe suga o peito e a olha com um misto de adoração e necessidade. Então nasce a cumplicidade, a certeza de poder contar com o amor maior de alguém que vai prover, enquanto existir, uma vida melhor para o outro, o seu filho. A mãe descobre então o que é alteridade de verdade, sente na pele o arrepio do que o outro sente; nos olhos, as lágrimas de dor e resignação e o misto de emoção sem precedentes. A mãe descobre que o sorriso do filho é o que a impulsiona nas horas de quase desistir, de morrer de cansaço e sono e dor… É a felicidade que procurava há tempos e ela cabe naqueles pequenos lábios sorrindo para si. Alena Cairo
Sinto muito, amo muito minha filha, teria uns 20 bebês se dinheiro tivesse e companheiro que quisesse, mas jamais seria feliz se me anulasse. E, na minha vida, sou prioridade. Tenho que ser, preciso ser. E não é este tipo de (falta de) amor que eu quero que ela conheça. Duvido muito da felicidade dos filhos cujos pais se anulam por eles. Geralmente, crescem mimados e egoístas, incapazes de perceber a alteridade. Olham para o próprio umbigo e sentem-se o centro do universo, batem os pés e assim alcançam o que todos os sacrifícios dos pais podem lhes oferecer. Até que a vida lhes mostra que a sociedade é maior que a sua própria família e os outros existem.
Eu tenho identidade, tenho quereres, desejos e gostos que precedem o nascimento de Alice e eu não abro mão de ser quem eu sou. Desde bebê, quando se formam os tiranos, ela implica com o meu gosto pelo pc e consequente significado de que eu não estou disponível para ela em tempo integral. Ao que eu lhe respondo: “filha, mamãe gostava do computador antes de você nascer, enquanto você estava na barriga e, depois que você nasceu, continua gostando”. E não pense aí, consolando-se, que eu fico sempre trabalhando, não. Às vezes, quero meu tempo para jogar uma partidinha (ou várias) do joguinho mais imbecil que existe ou ficar horas no facebook – mas aquele é meu tempo, meu momento de desopilar, de estar comigo e de limpar a minha cabeça das tensões diárias.
Se vou sair à noite, haja chorinho e dengo dela, minha filhinha, que eu aprendi a contornar com a frase: “mamãe precisa sair porque mamãe quer ser feliz e se divertir, ficar alegre com os amigos dela e, quem sabe, conhecer um ‘tio’ legal para namorar. E uma mãe, feliz, Alice, é sempre uma mãe melhor.” Repito todas as vezes, peço um beijo na bochecha com cuidado para não borrar a maquiagem e ela respira fundo, deixa de chorar e vai ser feliz também com a babá de plantão, brincando e se divertindo como lhe convém.
Sou mãe, mas sou antes menina, mulher, profissional, sou pessoa inteira e já era antes de ela nascer. Ela não me completa porque eu não estava precisando de complemento. Alice é um amor bonito, mas que também me frustra às vezes como é peculiar a todos os amores, porque ela também não é extensão de mim e tem vontade própria, age conforme os seus interesses.
Sim, fico cansada, acho que nunca mais vou dormir todo o sono que sinto, tive depressão pós-parto não diagnosticada na época, às vezes, ela faz malcriação, chora e esperneia e tenta impor suas vontades e me dominar ou ferir. Como todos os filhos. E educar me deixa exausta, não é fácil, embora também não seja impossível ou hercúleo. Faz parte do processo da maternidade.
E é por isso tudo que eu não posso pensar que os ecos de uma sociedade patriarcal ainda estejam a me gritar que eu devo/tenho que/só me resta anular-me. Propagandas bonitinhas, memes fofos com ‘fotinhas’ de bebês e frases cítricas de familiares travestindo imposições machistas? Tô fora. Raciocino. Raciocino e rejeito esta maternidade sinônimo de morte do eu, do abandono de mim mesma. E olhe que, por um período, entrei nesta vibe. Chega.
“Bola pra frente”, “arranja outra”, “você não pode ficar cuidando de criança”, “eu não tenho o que fazer com um filho pequeno”, “isso é papel da mãe”, “a culpa é da mãe” … é o que os pais solteiros ou separados ouvem e repetem por aí enquanto as mães têm (?!) que se contentar com a doutrina da conformidade: “quem mandou parir?”, “agora aguenta”, “não soube escolher…”
Rejeito este papel, não quero para mim e não admito que tentem me enquadrar neste espaço tão pequeno em que eu, mulher, mãe e profissional, não caibo. Alice está sendo educada para buscar esta integridade sua enquanto pessoa e a sua felicidade apesar de tantos tropeços que terá pela vida. Assim como eu fui.
]]>“Oh my beautiful mother
She told me, son in life you’re gonna go far
If you do it right, you’ll love where you are
Just know, wherever you go
You can always come home
(…) oh my irrefutable father
He told me, son sometimes it may seem dark
But the absence of the light is a necessary part
Just know, you’re never alone, you can always come back home”
Quando os pais morrem, você passa realmente a pertencer ao mundo, pertencer ao mundo verdadeiramente. Se, por um lado, causa melancolia, por outro, o seu “caminho é cada manhã” . É uma liberdade gigante ter todas as estradas pela frente.
]]>
Ultimamente, tenho visto uma enxurrada de frases e netcartazes cuja mensagem consiste em dizer, de diversas formas diferentes, que ninguém tem nada a ver com a ‘minha vida’. Isso e mais a intromissão absurda de que fui vítima nos últimos tempos (ressalte-se porque estava fragilizada e permiti) me conduzem à constatação de que , quando a gente realmente está segura de si, as intromissões não somem, os palpites não acabam, as chatices alheias e as fiscalizações familiares não deixam de acontecer, entretanto a gente liga aquele botãozinho do ‘foda-se’ e sai pela vida, linda, serelepe e faceira, ao menos muito leve, se não tudo isso, e vai cuidar realmente do que interessa.
Quando há esta necessidade de justificativa como vejo nos posts de amigos, percebemos claramente o grito de socorro implícito: por favor, vão cuidar da vida de vocês e parem de julgar, condenar e maldizer a vida alheia. São estas as súplicas que leio diariamente nas mensagens dos murais on line.
Por outro lado, podemos pensar que as pessoas controlam o que publicam nas redes sociais e dão aos outros os pratos cheios para falarem de si. Há quem diga que não publica nada por isso. Mas é esta a tônica? Nada partilhar? Guardar para si suas conquistas, suas mágoas e decepções, seus lampejos de alegria e arroubos românticos? Ué, eu não aprendi na vida, na escola, nos livros e na universidade que o ser humano é social? Eu vivo com o outro, por isso publico, divulgo, me engajo e compartilho; mas não para o outro.
As redes sociais hoje se descortinam melhores do que as limitadas janelas das maricotinhas de antigamente. Se as candinhas viviam atrás das cortinas tomando conta dos beijos roubados e dos encontros fortuitos e passavam, tal qual a brincadeira do telefone sem fio, as mensagens, deturpando-as, hoje não é lá muito diferente.
Há uma gama enorme de ‘amigos’ que aceitamos para fazer parte da nossa vida virtual que só faz fuxicar e futricar a partir do que publicamos. Uma tia, um tio e um conhecido me perguntaram se eu era gay porque me vêem sempre defendendo os direitos humanos dos homossexuais. Na cabeça deles, é preciso ser homossexual para respeitá-los. Ãnh? É. É com estupefacção que eu recebo estas notícias.
Outra vez, como gosto muito de roupas estampadas e vestidos de algodão, me perguntaram se eu era hippie, se depilava as axilas, se fumava maconha e se era gay. Ãhn? É. É com estupefacção que recebo estes comentários.
E se fosse? Caberia a mim ser.
Uma titia uma vez me disse que ‘ah! ela sabia que eu não era, mas o que o mundo ia pensar, o que as pessoas iam falar?’ Gente, fala sério! Estou no terceiro milênio, vivemos numa sociedade pós-moderna, o capitalismo venceu, os direitos humanos estão em voga há décadas, as lutas por um mundo , uma vida e um planeta melhor são a pauta das aulas, das reuniões e campanhas. E ainda há gente que se assusta se você não é católico ou se não é evangélico, se defende casamentos para pessoas que queiram se casar do mesmo sexo ou não, se é a favor da adoção, se prega o sexo livre e a liberdade feminina, se não condena as mulheres que abortam, se amamentou sua filha até quando bem quis e pôde? É. Até palestras eu ouvi contra a amamentação de minha filha. Muita gente veio – na contramão da história – me dizer que eu amamentava demais.
Recentemente, cada amigo com quem tirei foto e postei virou para as candinhas um namorado, uma promiscuidade minha. E se fosse? A década de 70 era mais evoluída… Cada copo de cerveja postado em minhas mãos em eventos virou um conselho de um parente: olha, não beba, não, vão pensar que você é alcoólatra.
Ou outro conselho pós fotografias: ‘não viaje. Sua filha é desequilibrada e precisa de você SEMPRE ao lado dela’. Ser mãe é isso? Renunciar a si própria? E eu que briguei tanto para a minha mãe recuperar a sua vida pós morte de meu pai e apesar de ter 4 filhas… Renunciamos, sim, a sair todas as noites, a ficar mais fora de casa, a comprar com todo o nosso dinheiro para nós mesmas… mas renunciar `a própria vida, às próprias escolhas, às próprias bandeiras e abdicar da felicidade? Não, sinto muito, aliás, não sinto nada, mas JAMAIS deixarei de ser quem eu sou porque isso me deixaria extremamente infeliz ( e já deixou no breve tempo em que permiti que os outros falassem mais a mim que eu mesma. Ademais, quem conhece Alice sabe o quanto ela é feliz e normal.
Aí você reflete sobre as suas publicações e as suas fotos e ratifica, tranquila, que , sim, vai continuar a fazê-las porque quer do seu lado gente de bem, gente bacana, gente que pense parecido ou que ao menos defenda o seu direito de pensar diferente. Candinhas, mariquinhas, futriquinhas? Ah, coitadas! São pessoas que nada têm de bom para partilhar e por isso ocupam tanto do seu tempo com maledicências sobre as felicidades alheias.
***
Conselho ao grupeto? Signifiquem suas vidas, a dos outros vai incomodar menos.
]]>A mais, o Dukan promete 1 kg por semana e quem faz VP sabe que até mais que isso é possível nas primeiras semanas. E sem sofrer.
]]>
A gente posta lá no face e torce para entender…
]]>O Rio tem dias nublados e ares cinzentos que também nos fazem acalanto por identidade, idade e ecos de Clarice na alma, além do sol e da praia e dos biquínes sorrindo. O Rio é democrático.
E cosmopolita. O Rio tem lojinhas em Copacabana onde a gente encontra das moderníssimas invenções em designe e tecnologia às poeiras do tempo e às decadências de outrora.
Tem velhinhas passeando maquiadas, resquícios de uma era em já foram as garotas da praia. Senhorinhas de salto alto e cabelinho penteado, andando devagarinho nas calçadas irregulares, despertando-nos ternura. O Rio tem moleques com caras felizes e crianças com ginga. Vendedores cheios de saquinhos pendurados a nos oferecer o petisco mata fome pela janela dos automóveis parados ou coletivos cheios. Tem lavadeiras gordinhas que, ao subir o morro depois de um dia cansativo de trabalho, se deparam resignadamente com a polícia a revistar suas sacolas e uma fila enorme para ter acesso à ladeira que leva à sua casa.
O Rio tem olhos verdes, gateados, mulheres incríveis e meninos do Rio, sim, de provocar arrepio. Tatuagens incríveis. Pranchas e ondas e varas de pescar nas pedras da Niemeyer. Engarrafamentos que poderiam nos matar de pressa ou de raiva ou de tédio não fosse o deslumbramento e o assombro de tanta beleza que nos faz , sinceramente, agradecer pelo trânsito ser tão lento.
O Rio tem nuvens densas que fazem a Gávea ficar envolta em atmosferas oníricas e nos levam a portais de outras dimensões, perdidas que ficamos a contemplá-la. É a cidade dentro da mata ou a mata dentro da cidade? Cada árvore, cada planta de um tom verde escuro, e trepadeiras e parasitas subindo aqui e acolá. Terra de gradis e arquitetura sui generis.
Tem samba em cada esquina, feijoada em cada morada e carne seca de sabor único. Supermercados cheios de frutas apetitosas, folhas verdinhas e tenras e uma diversidade de industrializados de nos fazer perder hoooras a ler rótulos e indecisas sobre o que levar.
O Rio convida à poesia, seja na lagoa, na Glória, em Santa Teresa ou Ipanema. É terra de grandes homens, de grandes escritores, músicos incomparáveis e índios memoráveis; terra que precisa, ainda hoje, de melhores caciques para seu povo.
O Rio é bonito de baixo para cima e de cima para baixo.
]]>ao som de Nando Reis e Skank “Sutilmente”
Alena
]]>
Pois bem, três anos depois, o tempo estimado de um luto mesmo, retorno ao local onde muitos sonhos saíram pedalando numa derrocada que me custou um preço altíssimo: família desfeita. Planejo voltar àquela porta de ferro, enorme, ver através das grades que nem fantasmas habitam os corredores frios, quiçá o muquifo de sonhos desfeitos. E descalçar lá as minhas sandálias douradas, os laços que se desfarão, velhos e frágeis, solados corroídos pelo tempo, gastos por tantas pedras e asperezas. Descalça, caminharei em busca de lugar melhor, de ressignificações e um sapato novo .
]]>